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Bunkyo: Museu da Imigração Japonesa e o Pavilhão Japonês
Postado por Estela T em novembro 5, 2018 Editado em março 31, 2019

Neste post eu conto um pouco mais sobre o Bunkyo que mantém o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil no bairro da Liberdade e o Pavilhão Japonês, dentro do Parque do Ibirapuera.

Eis que mais uma vez eu volto a estes dois locais só que agora, voltei com olhos de turista, em um evento proporcionado pela Patrícia do blog Bagagem de Memórias que organizou a segunda edição do encontro Japão.br em 20-21 de Outubro de 2018. Este evento reuniu 15 blogs durante dois dias de encantamento sobre a cultura japonesa em São Paulo.

Fachada do MHIJB - Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, Bunkyo em Sao Paulo, bairro da liberdade

Fachada do Bunkyo e a entrada para o MHIJB

 

 

BUNKYO

Para quem não conhece o Bunkyo, trata-se de uma associação feita por imigrantes japoneses onde eram realizadas atividades ligadas à economia, educação, eventos sociais, campanhas de saúde, relacionamento com órgãos governamentais e relações com o Japão da comunidade nipônica no Brasil. Chamado também de "Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social", fica no bairro da Liberdade em São Paulo e mantém atividades para manter a cultura japonesa em atividade, com incentivo às danças folclóricas, eventos musicais, encontro de jovens, atividades esportivas e etc, além de manter o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil na sua sede e o Pavilhão Japonês, que fica dentro do Parque do Ibirapuera.

E foi lá a nossa partida para o II Japão.BR. Muito bem acomodados, fomos recebidos pela equipe do local e pela Patricia que nos presenteou com origamis de estrelinhas, tsurus (pássaros), balas e um mimo fofo feito pelo Cacare.co. O meu é o clips com decoração de cupcake... acertou na mosca o meu estilo! Perfeito! Gratidão ❤❤❤

 

MHIJB - Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

O MHIJB foi inaugurado em 1978 em meio às comemorações do 70º aniversário da imigração japonesa no Brasil. Na ocasião da abertura do museu, estava presente o então príncipe herdeiro Akihito do Japão e a princesa Michiko e pelo presidente brasileiro Ernesto Geisel.

A concepção do museu era manter registrada informações sobre a vida dos imigrantes japoneses no Brasil e, através de fotografias, objetos de época, relatos, roupas, manter viva a memória desta passagem.

O museu ocupa 3 andares do Bunkyo e é muito rico nos registros da época (o sétimo andar está em reforma e estará liberado para visitação em Janeiro/2019). Vale a pena se informar de forma antecipada sobre as visitas guiadas porque, quando visitei pela primeira vez este museu, muitas informações passaram batidas por mim. Mas agora, neste evento, absorvi tudo com a visita guiada!

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No evento Japão.BR, tivemos inicialmente uma palestra com a Carla Okubo que explicou um pouco ao grupo sobre os japoneses, sobre a cultura e sobre o jeito de ser dos japoneses, já que 2/3 do grupo não possuía descendência e, para que todos tivessem um entendimento maior sobre o próprio museu e sobre todas as interações que iríamos viver ao longo dos dois dias, tal palestra nos foi apresentada antes de começarmos a visita ao museu.

bunkyo, MHIJB, Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, sao paulo, bairro da liberdade, brasil, cultura japonesaEla também explicou sobre a identidade nikkei que são os descendentes de japoneses espalhados pelo mundo e que possuem um certo tipo de "carimbo genético" no "jeito japonês de ser", mesmo estando muito longe do Japão. Um dado muito interessante que nos foi passado é que, a primeira onda imigratória japonesa para terras estrangeiras ocorreu 40 anos antes de dar início no Brasil e que foi no Havaí, Estados Unidos (há 150 anos, ou seja, em 1868). Outro fato muito interessante é que para o Havaí foram majoritariamente homens que acabaram constituindo família com nativos do Havaí, fazendo com que a língua japonesa fosse mantida dentro destas famílias, já que para o filho se comunicar com o pai, tinha que aprender o japonês.

No Brasil a imigração ocorreu após o EUA fecharem as fronteiras para os japoneses e estes começaram a imigrar para o México e Peru (a partir de 1899), sendo este último o primeiro país da América Latina a firmar relações diplomáticas com o Japão e recebeu muitos japoneses, principalmente os de Okinawa. Depois outros países foram abrindo as fronteiras como o Brasil (e no meio deste povo estavam meu dityan e minha obatyan que se conheceram aqui no Brasil) e o Paraguai. A diferença dos japoneses que imigraram ao Brasil com aqueles que imigraram para o Havaí é que, imigraram por aqui famílias inteiras que, depois de um tempo perceberam que a tão sonhada viagem de volta ao Japão não iria acontecer, então, buscaram aprender o idioma português e fizeram questão dos filhos não passarem dificuldades devido a barreiras linguísticas, exigindo-lhes estudo.

Após esta bela introdução, fomos guiados pela Lidia Yamashita, vice presidente do MHIJB, que enriqueceu ainda mais a nossa visita com explicações dos detalhes dos objetos e imagens.

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Lidia Yamashita, vice presidente do MHIJB

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Seda e Chá

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Armadura samurai

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Uma vitrola

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Altar em comemoração ao "dia das meninas"

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Kimono

A imigração japonesa ocorreu porque o povo passava fome devido ao isolamento do mundo que o país adotou no período Edo. Sem guerras, epidemias e técnicas agrícolas antiquadas, todo alimento que produzia não era suficiente para a população e caso houvesse uma perda de safras por qualquer motivo e de qualquer produto, fazia muita falta a todos. O processo de modernização aconteceu na era Meiji e a reforma agrária gerou milhares de desempregados, com a adição das máquinas no campo. Muitos se endividaram e começaram a falir e as oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras tanto no campo quanto nas cidades. Desta forma, o governo japonês incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos.

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Vídeos que nos transportaram àquela época

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A frente artista japonesa também veio para o Brasil

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Máscara de Kendo

Os dois primeiros andares do museu reúnem documentos e objetos da época em que os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil (1908) e que abrange a época da assinatura do Tratado de Amizade Brasil-Japão. O 9º andar é mais recente (inaugurado em Novembro de 2000) e mostra os 50 anos pós-guerra, expondo objetos de crianças que, junto a suas famílias, trabalhavam em lavouras quase que como adultos e mostra também as transformações da comunidade nikkei brasileira, a chegada de empresas japonesas e as tantas  contribuições dos nipo-brasileiros para a sociedade brasileira. Há uma mostra de grandes feitos esportivos de descendentes e algumas obras de arte raras.

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Vestimentas infantis

Vale a pena saber que, com a chegada de japoneses nos campos do Brasil, foi introduzido nos pratos brasileiros o costume de se adicionar legumes e verduras na dieta. Verduras eram comumente consumidos pela elite devido a costumes portugueses, mas com as técnicas japonesas, tais produtos ficaram mais acessíveis e todos brasileiros começaram a ter maior acesso a este tipo de produto. Além disso, nos bolsos de vários imigrantes (não apenas japoneses, lógico) estavam sementes de verduras e legumes do Japão que foram muito bem adaptadas pelos japoneses em terras brasileiras (Fonte: Apostila de Horta, UMA Paz).

Informações:
Horário de funcionamento: Terça a domingo das 13h30-17h
Endereço: Rua São Joaquim, 381
3º andar - Biblioteca/Escritório
7º, 8º e 9º andares - Exposição Permanente
Entrada: R$12,00
Audioguide: R$12 (retirada no 8º andar)

 

Pavilhão Japonês

O Pavilhão Japonês surgiu com a criação do Parque do Ibirapuera que, por sinal, foi concebido em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo, ou seja, em 1954. O pavilhão foi construído pelo governo Japonês e pela comunidade nipo-brasileira e quando o parque foi inaugurado, foram montados 640 estandes representados por 13 estados brasileiros e 19 países, incluindo o Japão.

Pavilhão Japonês, japanese pavillion, sao paulo, brasil, parque do ibirapueraO prédio é uma réplica do Palácio Katsura, que está localizado na cidade de Kyoto lá no Japão. O projeto foi executado pelo professor japonês Sutemi Horiguchi (da Universidade de Meiji) e que até usou materiais e técnicas construtivas tradicionais japonesas, no estilo Shoin, que eram comumente adotadas nas residências dos samurais e da aristocracia.

Esta técnica é apreciada na arquitetura até nos dias de hoje e baseia-se em composições modulares de madeira (com divisórias deslizantes, externas e internas), organicamente articuladas e marcada pela presença do tokonoma (que são geralmente áreas internas como quartos e salas), bem como nichos embutidos com prateleiras e pequenos gabinetes dispostos de forma decorativa.

Uma curiosidade: Sutemi Horiguchi era o arquiteto responsável por levar aspectos ocidentais na arquitetura no Japão. Quando foi convidado para fazer a construção e a concepção do projeto do Pavilhão Japonês em São Paulo, sabendo que o parque seria concebido por Oscar Niemeyer, que na época já era referência na arquitetura modernista no mundo todo, Horiguchi decidiu não aplicar técnicas ocidentais, optando por esta réplica japonesa. Hoje percebemos quão feliz foi a sua ideia em fazer algo mais clássico, servindo de contraposição ao projeto moderno do parque.

 

Pavilhão Japonês, japanese pavillion, sao paulo, brasil, parque do ibirapuera

Carpas do lago

Confira o vídeo que fizemos lá em 2016 (mais abaixo)!

Como o dia era de interação japonesa pelo evento do Japão.BR, fomos presenteados com uma apresentação musical de Shen Ribeiro que tocou uma flauta japonesa chamada shakuhachi. O musicista é mestre no instrumento e foi ao Japão por anos estudar esta técnica. Gratidão imensa ❤❤❤ por ter nos explicado muito bem sobre o instrumento e sobre os princípios religiosos budistas na formação da cultura japonesa, além, é lógico, de nos oferecer músicas em um ambiente mágico! Foi delicioso ouvir o som da flauta com aquela luz de fim de tarde batendo no salão e o som da água do lago das carpas.

Informações:
Entrada
:R$10,00
Acesso: Portão 3 e 10 – Av. Pedro Álvares Cabral
Horário de funcionamento: Quarta, Sábado, Domingo e Feriado das 10h às 12h e das 13h às 17h

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Modelo de encaixes da arquitetura empregada em madeira

Pavilhão Japonês, japanese pavillion, sao paulo, brasil, parque do ibirapuera
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O saldo do dia foi muito positivo e eu mesma, descendente de japoneses, acabei entendendo até um pouco mais o meu jeito de ser e também de todos os outros nikkeis. Confesso que eu não sabia que eu me encaixava na denominação nikkei e foi bem legal entender como a veia japonesa realmente às vezes faz com que me sinta um pouco diferente em alguns aspectos. O mais legal desta interação foi justamente dividir momentos como estes com outros blogs que, independentemente da proximidade nipônica que eles tenham, me trouxe um novo olhar sobre a minha própria cultura porque, quando ouvia alguém falando "Puxa, que interessante! Eu não sabia disso", eu comecei a dar mais valor daquilo que já estava intrínseco em mim mas que eu já havia esquecido.

É por este motivo que dou uma salva de palmas a este evento muito bem orquestrado pela Patrícia e parceiros! A palavra que vem em mente sobre os dois dias do evento é: "WOW".

Para completar o nosso entendimento sobre Japão, japoneses e cultura japonesa, no segundo dia de evento a Claudia do Yomitai e Fernando Matsumoto nos mostraram uma apresentação particular dentro do Japan House com dados muito interessantes que eles absorveram na recente viagem ao Japão que fizeram através do Consulado daquele país.

Dados interessantes como a ocupação de cargos gerenciais em empresas pela ala feminina que é de apenas 10%, a natalidade baixíssima vs mortalidade e a falta de interesse em sexo (!!!) da população entre 20-30 anos (!!!)

"Pina" esta foto no Pinterest 😉

O evento juntou os seguintes blogs: Tá na minha RotaSão Paulo da GaroaTuristando com a LuOrientando-se pelo mundoYomitaiCasa de DodaMulheres ViajantesAbraço MundoAndrea ToptourIdeias na MalaViajante Móvel Kari Desbrava - Blog de viagem Trippolis, além do próprio Bagagem de Memórias e nós, do Itinerário de Viagem.

Foram dois dias de muita interação e intercâmbio com a cultura japonesa em São Paulo!

Acompanhe os outros posts relacionados a este evento, que além deste tem o JAPAN HOUSE: Nonotak e Aromas e Sabores Japoneses e mais um terceiro que será postado na semana que vem!


 

 

Fotos e textos desenvolvidos por Itinerário de Viagem. Logo de autoria de JapaoBR. Favor respeitar

Deixe seu comentário / 2 Comentários

  1. Quão ricos e encantadores são o Bunkyo e o Museu Histórico! O Japão.BR é um evento muito bacana, gosto de acompanhar pelas redes!

    • Responder
      Estela T

      Ahhh sim… acabamos de voltar de um evento lindíssimo no Pavilhão Japonês com uma apresentação da Akiko Sakurai tocando um instrumento chamado ‘biwa’… foi lindoooo!
      Muito obrigada pelo comentário! Grande bj

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