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INSTITUTO INHOTIM I
Postado por Estela T em agosto 9, 2017 Editado em novembro 24, 2017

Instituto Inhotim - Rota Rosa - Inhotim era uma fazenda, virou um jardim botânico e seu dono, o empresário Bernardo Paz, transformou o local em um dos mais importantes museus (ou acervos) de arte contemporânea do Brasil e o maior centro de arte ao ar livre da América Latina a partir de 2004, quando instalou várias galerias e obras de arte adquiridas nos últimos anos. No começo das atividades, Inhotim recebia visitantes com horário marcado, mas em 2006 passou a ter dias e horários regulares de visitação. Suas aquisições de obras de arte contemporânea começaram com obras do artista Tunga. Por isso que ele possui duas galerias.

Apesar das últimas notícias envolvendo Bernardo e o instituto, como Inhotim ainda existe e parece que vai continuar existindo, a vida segue! 

Hoje são aproximadamente 700 peças de arte em exposição (dados que me passaram quando visitei), tanto do acervo permanente quanto obras "emprestadas" para exposições temporárias. Além disso, há muitas obras guardadas em vários outros acervos, esperando a sua vez de serem expostas. Sendo assim, as exposições sempre mudam de tempos em tempos e algumas obras permanentes podem ser deslocadas para dar espaço a uma outra obra do acervo, sem falar que novas aquisições estão acontecendo, então cogite visitar novamente dentro de alguns anos. A área de visitação de Inhotim é de quase 97 hectares, então, se você tem pouco tempo para visitar este lugar, sugiro pesquisar antecipadamente o que você mais faz questão de ver e focar a sua visita neles. Mas se você é meio leigo em arte contemporânea, é só se soltar e andar conforme o feeling porque onde quer que você caia, terá uma boa surpresa.

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, palmeira-azul

Loja de Inhotim ao lado da Recepção (com a palmeira-azul em primeiro plano)

Uma coisa interessante é que o parque abriga muitas plantas raras e algumas consideradas exóticas, como a flor cadáver, nativa da Ásia. Esta é considerada a maior flor do mundo mas nem sempre é possível ver a flor, já que há momentos específicos para desabrochar (eu mesma não a vi). Então, se você olhar o mapa de Inhotim, perceberá alguns destaques botânicos e alguns jardins temáticos. Bom, eu adoro jardins e se forem temáticos, sempre coloco no meu roteiro para visitar. Acho tão certeiro eles terem feito Inhotim focado em arte contemporânea.... porque chega uma hora que você pensa tanto ao visitar algumas obras que nada melhor do que a natureza para te energizar! Portanto, tudo lá faz muito sentido!

Algumas pessoas falam para você desencanar em tentar entender o conceito das obras, não ler nada a respeito antes de ir e etc. Mas na boa? Faça o que quiser! Não existe regra para a arte contemporânea. Se você quer saber o que vai ver por lá, pesquisa na internet ou no site oficial de Inhotim e depois vá ver ao vivo. Se você quer chegar lá sem saber exatamente o que vai ver, não tem problema também, apenas vá.

A única dica que eu dou é que no mínimo reserve 2 dias inteiros para visitar o lugar. O resto é com você!

Eu tinha esta pendência de conhecer Inhotim desde 2010 quando a Gi me falou sobre este lugar. Nós duas amamos arte contemporânea e sempre que dá, vamos juntas a algumas exposições. Na ocasião, estávamos visitando Ouro Preto e a Gi tentou de tudo para encaixar Inhotim no nosso itinerário. Mas como teríamos pouco tempo, acabamos deixando esta visita para um futuro. Acabou que não conseguimos ir juntas, como havíamos combinado, mas pelo menos, e finalmente, a minha vez de conhecer Inhotim chegou!

Calhou que meu namorado, que é um artista contemporâneo e nunca havia ido a Inhotim também, acabou ganhando um concurso pela escolha do público por uma obra de arte e o prêmio nada mais era do que esta viagem a Inhotim com tudo pago (3 dias e 2 noites). Para se ter uma ideia dos gastos totais, chegou a R$ 5 mil para os dois, considerando: aéreo de SP > BH + transfers ida e volta do aeroporto de BH até hotel e entre hotel e Inhotim + hospedagem em um hotel fazenda com café da manhã + jantar e os ingressos de entrada para Inhotim e almoço no Restaurante Tamboril. É caro e por isso que eu digo a você que vale a pena ficar mais que um dia. Devo dizer que hospedagem em um hotel fazenda é desnecessário, ainda mais tão distante de Inhotim (ficamos na cidade de Igarapé, o que encarece e muito a viagem). Na página Inhotim III conto detalhes da hospedagem e do restaurante!

 

Dicas Gerais

Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira das 9h30-16h30 e Sábado, domingo e feriado das 9h30-17h30. Fechado às segundas
Entrada: Terça, quinta, sexta, sábado, domingo e feriado R$ 40,00 e Quarta-feira (exceto feriado) é gratuito
Estacionamento e bicicletário gratuito
Guarda volumes gratuito
Transporte interno: R$28,00
Carrinho elétrico com motorista para 5 pessoas: R$500/diária ou R$200/hora
Há 02 restaurantes e 02 cafés lá dentro cada um com o seu valor. Dê uma checada no site oficial clicando AQUI.

Como chegar
Localizado na cidade mineira de Brumadinho, fica a 60km de Belo Horizonte. Para chegar lá você tem que descer no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) e pegar a estrada por quase 2 horas (considere que pode existir trânsito). Este trajeto você pode fazer de várias maneiras:

  1. Alugando um carro que é o mais indicado para aqueles que vão dedicar mais de um dia em Inhotim ou vão conhecer outras cidades de Minas Gerais (onde 3 dias sairia por +ou- R$260,00);
  2. Indo de ônibus que sai da Rodoviária de Belo Horizonte. Esta rodoviária fica a 40km de distância (ao sul) do aeroporto de BH. Há um ônibus que sai do aeroporto e vai até a rodoviária e deve custar cerca de R$13. A companhia que opera a linha que vai até Brumadinho é a Saritur que custa +ou- R$30, porém há horários específicos de saída e só opera de terça a domingo. Da rodoviária de BH até Brumadinho leva 01h30mins. Da rodoviária de Brumadinho até a porta de Inhotim, o taxi pode custar de R$10 a R$15. A distância é de 4km, o taxi leva cerca de 10 minutos.
  3. Contratando um serviço de transfer
  4. Taxi é caro, fica em torno de R$300,00 só para levar do aeroporto até Inhotim

Importante saber que é quase inexistente operadores de UBER.
Outra informação muito importante: o trânsito perto da Rodoviária no final do dia É GRANDE, podendo ocasionar perda de ônibus para aqueles que optaram por este transporte. O ideal é chegar na região antes das 17h.

 

Se for ficar mais de um dia:

Para se hospedar em Brumadinho há várias opções e preços de hotéis, inclusive hostel.
Do centro de Brumadinho até a entrada de Inhotim, o taxi custa cerca de R$20,00
Vale muito a pena ficar no mínimo 2 dias inteiros em Inhotim. Quem pode ficar 3 dias, ótimo, dá pra ver 95% e quem tiver 4 dias, melhor ainda, porque dá pra ver 100% e com calma. Mas 3 dias é o ideal.

Dicas com roupa

Você já leu quantos hectares possui Inhotim né? Se você é daqueles que vai fazer a visitação a pé, por favor, vá de tênis bem confortável (e de cor escura porque a terra lá é roxa). Não ligue para ficar lindo(a) nas fotos... É como visitar um parque... não rola salto alto, botas de salto e sapatilhas cansam e não amortecem o impacto das passadas. Agora... se você for alugar o carro elétrico, ok... até dá pra ir mais pimpão (pimpona). Nos dias de calor, não esqueça os óculos escuros e chapéus. Se for em época de chuva, leve capa, galocha e guarda-chuva.

 


 

As Rotas de visitação em Inhotim

Analisando o mapa de Inhotim, para facilitar a vida dos visitantes, eles traçaram 3 possíveis rotas dentro do parque: a amarela, a laranja e a rosa. Como nós debulhamos Inhotim ao máximo, vamos dividir os passeios em 3 páginas, sendo que esta página atual é o detalhamento do que conhecemos na Rota Rosa. Então, para ler mais detalhes e ver mais fotos e até videos de cada rota, visite as nossas outras páginas dedicadas a Inhotim: Instituto Inhotim II, Instituto Inhotim III.

Vale lembrar que na vida real, é impossível seguir as 3 rotas sem cair em cores variadas. Mas, vamos seguir este racional que é muito interessante anyway! Todas as obras expostas lá possuem um nível artístico internacional de primeira qualidade. As opiniões a seguir são completamente pessoais e cada pessoa tem uma percepção bem diferente a respeito de vários assuntos, sobretudo em arte contemporânea! 

 


 

 

ROTA ROSA

 

 

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque

O lago da rota Rosa

Depois que você passa pela recepção, pega o seu mapa e dá o primeiro passo dentro de Inhotim, surge uma emoção grande. Bom, pelo menos foi isso o que aconteceu comigo! Devo ter sentido a mesma euforia que as pessoas que amam parques temáticos sentem quando pisam no parque dos sonhos pela primeira vez. Eu simplesmente não sabia qual direção ir, apesar de já ter em mente que iria conduzir os nossos segundos passos pela Rota Rosa.

Falta sim uma sinalização onde cada rota se inicia a partir da recepção, mas como "quem tem boca vai a Roma", perguntando a um dos bem treinados funcionários do lugar, rapidamente fomos orientados de como nos localizar no mapa.

O primeiro caminho pela rota rosa te leva a um dos 04 lagos do parque. Nenhum deles tem nome, mas são fáceis de identificar por conta de particularidades geométricas, cores e obras de arte que possuem ao seu redor. Este lago é o que mais tem cara de lago natural. Seguimos por ele e avistamos a famosa obra de Helio Oiticica do outro lado, com as cores gritantes. 

Seguindo ao "sul", encontramos o Centro de Educação e Cultura Burle Marx, que possui teatro, biblioteca, centro de informações e um café. Acabamos não utilizando muito este espaço, já que a biblioteca e o teatro estavam fechados e não precisávamos de um café. Para os que estão por perto no horário do almoço e só querem um lanche, o Café do Teatro pode ser uma boa solução, já que oferecem opções de sanduíches e pães. O problema deste café é que ele só funciona de quarta das 09h30-16h e aos sábados, domingos e feriados das 09h30-16h. Então, se você está em Inhotim numa quinta ou sexta e não é um feriado... descarte esta opção para reabastecer as energias!

 

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque

Centro de Educação e Cultura Burle Marx

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O café do Teatro

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem

 

 

 

Yayoi Kusama - Narcissus Garden, 2009

Em cima do Centro de Educação e Cultura Burle Marx está  a obra de Yayoi Kusama. A primeira vez que a artista japonesa instalou esta obra, foi em 1966 durante a 33ª Bienal de Veneza, Itália. Ela distribuiu 1.500 bolas de aço inoxidável nos gramados entre os pavilhões do evento e cada uma era vendida a US$ 2,00, com uma indicação: "Seu narcisismo à venda". Bom, nada mais era do que uma crítica bem irônica ao sistema da arte e seus sistemas de repetição e mercantilização. Os organizadores do evento, digamos, da mais importante Bienal entre as Bienais do mundo, ficaram muito bravos com a artista e ela foi punida do evento e só voltou a representar o seu país oficialmente nesta Bienal em 1993.

Em Inhotim vemos uma versão um pouco menor, já que são expostas apenas 500 esferas e ao invés de estarem sobre o gramado, elas ficam sobre o espelho d'água do Centro Educativo Burle Marx, e o que eu achei interessante é que, com o vento, as esferas acabam criando sons quando uma toca na outra e, lógico, elas são deslocadas de um lado a outro.

O narcisismo ainda está lá, e é todo nosso nesta era do selfie. Nossa imagem refletida, sempre bem vinda, às vezes desloca nossa atenção de toda a beleza que nos cerca.

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Yayoi Kusama

A parte de trás

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Yayoi Kusama

Uma das esferas e nossa imagem refletida

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As esferas de Yayoi

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem

Restaurante Oiticica

Seguindo o trajeto, é bom saber que neste curto espaço entre a recepção existe o Restaurante Oiticica. Para quem quer comer comida e não lanche, é a opção mais em conta do parque. O valor é cobrado por quilo, sendo que este custa R$43 até, pelo menos, Agosto de 2017. Funciona de terça a sexta das 12h-16h e sábado, domingo e feriado das 12h-17h. Não consumi nada neste restaurante e até fiquei curiosa para provar, mas fica para uma próxima oportunidade!

Restaurante Oiticica, Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque

Fachada do Restaurante Oiticica

Restaurante Oiticica, Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque

O salão

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem

Helio Oiticica - Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, 1977

Esta é uma das obras mais fotografadas em Inhotim. Não porque é notável ou excepcional. É até meio infantil e, talvez por isso que chame tanta a atenção. Posicionado perto do lago em meio a árvores exóticas que eu nunca vi, realmente a obra chama a atenção. O artista Helio Oiticica não chegou a executar esta obra em vida mas deixou tudo bem registrado para que ela fosse produzida e instalada corretamente.

A proposta do artista era trabalhar com a dualidade do significado em inglês de square e propor uma área de convivência do público entre as formas, as cores e os materiais. Como a própria plaquinha que descreve a obra explica: "... os Magic Squares pertencem ao grupo de trabalhos Penetráveis, em que a pesquisa do artista em torno da ocupação do espaço pela cor atinge escala ambiental e se articula com uma idéia de renovação do espaço arquitetônico, aproximando-o ao jardim, à praça, ao labirinto, ao parque de diversão e ao barracão." Falei que tinha um lado infantil na obra? E não necessariamente é uma crítica negativa, ok?

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Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem

 

Galeria Lago

 

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Galeria Lago

Logo ao entrar na galeria, uma projeção de vídeo

E chegamos na primeira das 23 galerias que tínhamos para visitar. De todas, 6 galerias possuem nomes genéricos como esta Galeria Lago e isso quer dizer que, além de algumas obras do acervo permanente de Inhotim, haverá obras de exposições temporárias para apreciar! Ou somente exposições temporárias na galeria inteira, isso depende muito da curadoria.

Mas enfim, A Galeria Lago é relativamente pequena em comparação a outras e lá encontramos um punhado de artistas. O meu destaque vai para David Lamellas, um argentino que instalou um holofote de teatro em uma sala totalmente escura e, com isso, o uso da percepção do espectador é colocado à prova e convida qualquer um a "subir no palco" que nem existe. De fato, não há como ignorar a vontade de ficar debaixo da luz. Para todos aqueles que amam cinema e/ou teatro com certeza estarão em um ambiente "comum" e confortável.

Em uma das salas desta galeria está a exposição do artista tcheco, Dominik Lang, denominada de The Sleeping City, 2011. Seu pai era um conhecido escultor, e nesta exposição, Dominik resgata algumas peças de seu pai, revisitando, assim, a história da atual República Tcheca, desde o período da Guerra Fria até o colapso da ex-União Soviética em 1991. Mas é lógico que o espaço expositivo foi milimetricamente calculado pelo Dominik, sendo uma espécie de colagem espacial enorme, num encontro destes dois artistas, pai e filho.

Na última sala da galeria há a obra "Correções A, 2001" de Iran do Espírito Santo, um conjunto de granitos lindamente formatados.

Obs: Não encontrei os sites de nenhum artista destacado.

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, David Lamellas

A obra de David Lamellas

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Dominik Lang

O trabalho de Dominik Lang...

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Cildo Meireles

"Camelô" de Cildo Meireles

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Dominik Lang

... com as esculturas de seu pai

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Iran do Espírito Santo

"Correções A" de Iran do Espírito Santo

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosa

 

Galeria Marcenaria

 

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Victor Grippo

"La intimidad de la luz en St. Ives, 1997" de Victor Grippo

 

 

 

 

Esta galeria fica bem pertinho da Galeria Lago e, apesar do nome genérico, pelo o que entendi, há apenas uma obra de arte de um único artista e sempre ficará assim. O artista é Victor Grippo, argentino, e a obra chama-se "La intimidad de la luz en St. Ives, 1997". Você entra na galeria e há apenas uma única sala, quase totalmente escura, com algumas mesas e materiais bem característicos de um atelier de artista. E era bem isso. Havia um facho de luz de uma fresta da janela que iluminava a sala de uma forma muito intimista. Opa! O nome da obra tem tudo a ver!

Poucas pessoas sabem do meu fascínio com o efeito de luz e sombra provocados pelas venezianas e janelas. Então, com o que eu vi, me emocionei e muito! Aliás.... tenho até um estudo em andamento que um dia vai virar uma pintura rsrsrsrs.

Nas seis mesas encontramos gesso, moldes, argila, água, ferramentas e texto. Adorei conhecer. A monitora desta galeria nos contou que o artista esculpia utilizando a marcação da luz como um relógio solar e o que vimos, é praticamente o seu atelier do jeito que ele deixou antes de morrer. Fiquei ainda mais tocada e a monitora nos disse, com um sorriso gratificante: "vocês foram os únicos que gostaram desta obra".

Fiquei surpresa de como pode alguém entrar lá e não se emocionar...

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosa

 

 

 

 

Edgard de Souza - Sem título, 2000; Sem título, 2002; Sem título (Bronze 5), 2005, 2000 - 2005

Outro conjunto de obras ao ar livre muito fotografado é o conjunto de três estátuas de bronze fundido sem cabeça de Edgard de Souza. Existe uma outra praticamente na varanda do Restaurante Tamboril que fica dentro do parque (rota amarela). São esculturas baseadas no corpo do próprio artista, e até poderiam ser autorretratos se não faltassem as cabeças.

São bem interessantes e esteticamente lisas e bem executadas. Estudando um pouco sobre a relação da arte contemporânea e o clássico e o classicismo, talvez eu encontre respostas mais profundas. Pelo o que li, pode ser que seja exatamente este o campo de estudo do artista. Ainda estou digerindo-a.

 

 

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Edgard de Souza

Três esculturas de bronze: Sem título, 2000; Sem título, 2002; Sem título (Bronze 5), 2005, 2000 - 2005 de Edgard de Souza

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosa

 

Galeria Doris Salcedo

Dedicada à artista colombiana Doris Salcedo, foi outra exposição que me surpreendeu. Trata-se de uma única obra, chamada de Neither, 2004, instalada na galeria inteira que é composta apenas uma sala. Apesar dela abordar arte política e social, que eu não sou lá muito fã, esta obra merece aplausos. Instalada permanentemente nesta galeria, a obra é uma intervenção na arquitetura onde a artista prensou uma enorme grade de metal contra as paredes da galeria, uma alusão a campos de concentração ou símbolos de segregação encontradas em qualquer cidade do mundo colocando o questionamento da função da grade de metal que, ao mesmo tempo que protege, separa.

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Edgard de Souza, Doris Salcedo

Fachada da Galeria Doris Salcedo

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Edgard de Souza, Doris Salcedo

Visão da obra

Detalhe da obra

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosaINSTITUTO INHOTIM - Rota Rosa

 

Galeria Miguel Rio Branco

 

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A "proa" da galeria

 

 

 

 

Depois de uma subida você vê no alto do caminho a estrutura arquitetônica da Galeria Miguel Rio Branco aparecer no seu campo de visão, e o que eu vi mais se parecia com a proa de um navio metálico cor de ferrugem. É impressionante o trabalho empregado aqui!

Nesta galeria estão reunidas fotografias e vídeos do artista espanhol Miguel Rio Branco e o mais interessante é que, quando estávamos subindo as escadas para a entrada da galeria, uma senhora, meio que em fuga, balançava a cabeça em sentido negativo falando: "tá louco.... artista é muito doido... aqui só tem loucura". Hum... curioso! Qual loucura deve ser?

Entrando na belíssima galeria, apreciamos uma série de fotos sobre a prostituição e personagens do Pelourinho, fotos dos trabalhos de estudos sobre o barroco, entre outros trabalhos. Em destaque falo sobre a obra do "excluído" chamada Diálogos com Amaú, 1983. Trata-se de projeções que foram expostas na XVII Bienal de São Paulo e destaca retratos daquilo que era o Brasil até 1983 e também um menino índio caiapó, o Amaú, que é surdo e mudo e naquela época, considerado uma espécie de pária em sua aldeia (Gorotiri, Sul do Pará).

Bem tocante, mas nada de doido como aquela senhora havia dito. Mas sim, a arte contemporânea pode, às vezes, tocar em assuntos só nossos e, por isso, não posso crucificar o que aquela senhora sentiu nesta galeria.

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque, Miguel Rio Branco

Primeiro andar com muitos trabalhos fotográficos

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Escada de acesso ao segundo andar

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Trabalhos de Miguel Rio Branco

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Trabalho sobre o Barroco

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Vídeo projetado

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosa

 

Galeria Claudia Andujar

 

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A fachada da galeria

 

 

 

 

 

Esta é uma das mais recentes galerias inauguradas em Inhotim e dedicada ao trabalho da fotógrafa sueca Claudia Andujar, radicada no Brasil desde a década de 1950. A galeria é grande, possui 1.600 m² é a segunda maior do Parque. Lá você encontra mais de 400 fotografias que foram produzidas pela artista entre 1970 e 2010 na Amazônia Brasileira quando ela esteve em contato  com o povo indígena Yanomami. Através das fotos, dá pra perceber toda a pureza deste povo até o momento que ele se perde com o contínuo contato com o "homem branco". A própria artista foi forçada a se afastar das aldeias.

Há um conjunto de fotografias que me chamou muito a atenção, com retratos de vários índios com placas de números destacados em suas roupas. A explicação é que, para que todos pudessem ter acompanhamento médico, era necessário identificar os indígenas com números, já que nenhum possuíam nomes. Fatos interessantes como esses, que nunca imaginamos, são lindamente registrados nesta grande exposição!

Ah... a galeria possui uma arquitetura bem interessante e convidativa!

 

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Trabalhos fotográficos de Claudia Andujar

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Trabalhos da artista

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As dependências desta galeria são notáveis

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosaInstituto INHOTIM - Rota Rosa

 

Galeria Matthew Barney

 

Saindo da Galeria Claudia Andujar, você terá um relativo longo caminho morro acima até chegar na Galeria Matthew Barney. Uma das galerias mais procuradas em Inhotim em formato de geodésica dupla e espelhada que, olhando de fora, não dá pra imaginar o que está lá dentro. Trata-se da obra De Lama Lâmina, 2004 - 2009 do americano Matthew Barney. Este artista colocou um gigantesco trator florestal torto, segurando uma escultura em polietileno de alta densidade.Há um ano, quando tomei conhecimento desta obra, eu achava que o trator estava segurando uma árvore de verdade. Chegando lá, constatei que não era, mas isso não tirou nem um pouco a magia da obra. A árvore escultura você identifica pela forma clássica composta de tronco, galhos e raízes. No seu topo, a escultura se transforma em uma figura geométrica mais artificial, perdendo a sua organicidade. Na explicação da obra, o artista faz uso de uma "complexa narrativa sobre o conflito entre Ogum, orixá do ferro, da guerra e da tecnologia, e Ossanha, orixá das florestas, das plantas e das forças da natureza."

Esta obra foi idealizada para Inhotim e sua instalação fica no meio da mata de forma proposital, já que nos leva a questionar assuntos sobre ecologia e reflexão com a crescente degradação ambiental. Até mesmo a estrutura da galeria, em forma de geodésica de aço e vidros espelhados espera contrastar este cenário futurista com a natureza que a envolve.

De toda forma, fiquei pensando que um dia, o pneu que está segurando boa parte do peso do enorme trator irá murchar por completo. Como vai ser para trocar o pneu? Cada coisa que eu penso...

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O famoso trator e a árvore

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As geodésicas que formam a galeria

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Detalhe da estrutura da galeria

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosa

Galeria Doug Aitken

Um pouco mais a norte, ainda subindo, chegamos na última galeria e penúltima obra de arte da Rota Rosa, e é, talvez, a galeria que mais me tocou nesta rota. A galeria é dedicada ao trabalho Sonic Pavilion, 2009 do americano Doug Aitken. Antes mesmo de entrar na galeria você já fica fascinado com a arquitetura dela, que é circular e feita de vidro e aço. Quando você entra, nota que o vidro que daria uma vista de 360 graus do topo da rota Rosa é revestido por uma película plástica de forma que, quando você está perto do vidro, você mal enxerga a vista lá fora, porque ela fica embaçada. No meio do pavilhão circular, há um poço tubular revestido por vidro com 202 metros de profundidade e dentro dele foram instalados microfones e equipamentos de amplificação sonora para, assim, ouvirmos o som da terra!

Sensacional? Ainda não terminei! No meio da sala, bem em cima do poço revestido de vidro, você olha para os vidros do pavilhão e consegue, enfim, enxergar a linda paisagem de Inhotim nitidamente! E outra! O som da sua voz naquele exato lugar é completamente diferente quando você está em qualquer outro ponto da galeria! Eu amei? Amei muito!

A pesquisa, projeto e construção desta obra de arte levou 5 anos e foi feita especificamente para Inhotim. Só acho que deveria ter um monitor neste local porque alguns visitantes vândalos arrancaram uma parte da película plástica dos vidros. Achei isso muito desagradável.

O som captado no furo de 202m de profundidade é projetado no pavilhão em tempo real, mas às vezes não se escuta nada. Infelizmente no momento em que havia som reproduzido, algumas visitantes tagarelas estavam lá conosco. Fiquei muito chateada em estar dividindo aquele momento com visitantes que não sabem se comportar dentro de uma obra de arte tão complexa! 

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A Galeria Doug Aitken no alto da colina

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Entrada da galeria

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Vista 360 graus

Instituto Inhotim - rota rosaINSTITUTO INHOTIM - Rota RosaTextos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem

 

 

 

Dan Graham - Bisected triangle, Interior curve, 2002

Voltando todo o caminho em direção à recepção, obviamente você acaba encontrando outras preciosidades da Rota Amarela, mas vamos terminar a Rota Rosa com a obra do americano Dan Graham que usou vidros para este trabalho pertinho do primeiro lago– com cara mais natural. Com um leve espelhamento, alguns vidros com formas curvas ou retas provocam distorções em nossos reflexos e nos reflexos da natureza em volta da estrutura. Você pode interagir nesta obra, entrando nas suas duas salinhas.

Como os vidros sobrepõem camadas de profundidade, o efeito visual acaba causando uma certa confusão na percepção do espaço ao redor, misturando o que está dentro com o que está fora. É difícil explicar e, mesmo em vídeo, não sei se consigo captar e mostrar a vocês o que sentimos e o que vemos estando lá.

O texto explicativo da obra explica que "o trabalho de Graham (faz com que você) reflita sobre as ligações entre a arquitetura e o seu espaço circundante, o que se evidencia em Inhotim, onde o diálogo entre arquitetura-escultura e paisagem-jardim aparece com ênfase."

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A obra de Dan Graham vista de fora

Textos e fotos de propriedade do Itinerário de Viagem Instituto Inhotim - rota rosa

Como eu disse, Inhotim possui destaques botânicos indicados no mapa. Eu cheguei a procurar alguns, mas o nosso foco realmente era a arte, arquitetura e o trabalho paisagístico no geral. Mas para quem tiver curiosidade, na Rosa Rosa são destaques: macaúba, palmeira-azul, ipê-amarelo, árvore-do-viajante, paxiúba e a bromélia-imperial.

Não deixe de ler nossas outras páginas sobre Inhotim estando a rota amarela em INHOTIM II e a rota laranja em INHOTIM III (em desenvolvimento)

 

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A "paxiúba"

Inhotim, Minas Gerais, Brasil, Arte Contemporânea, Parque

Um doa inúmeros bancos de tronco e/ou raízes de Inhotim

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