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BASSE NORMANDIE
Postado por Estela T em maio 18, 2014 Editado em abril 21, 2017

Dicas sobre HAUTE + BASSE NORMANDIE no norte da França com sugestões de passeios, restaurantes, hospedagem e muito mais!

 

 

Chegando em Giverny, cidade pacata

Chegando em Giverny, cidade pacata

Partindo de carro alugado via estação de trem Gare du Nord de Paris,adentramos nesta região que foi "recriada" em 1956 e corresponde à parte oriental da antiga província da Normandie (junto com a Basse-Normandie - traduzindo: Baixa Normandie). Suas principais cidades são Rouen, Évreux, Bernay, Le Havree Les Andelys.

Povoada inicialmente por tribos celtas normandas (daí o nome), a Província foi conquistada em 51 a.C. pelas legiões romanas. Com a queda de Roma, os povos francos ali se instalaram e foram mais tarde integrados ao Império Carolíngio. A partir do final do século VIII, piratas vikings devastaram a região e se estabeleceram e fundaram, em 911, o Ducado da Normandie

Integrada ao Reino da France, a região foi particularmente marcada pelos efeitos da Guerra dos Cem Anos, e pelas Guerras Religiosas, a ponto dos normandos terem sido muito mais convertidos ao Protestantismo do que os de outras regiões da France.

No século XX foi palco do desembarque das tropas Aliadas que trouxe destruição para a região, principalmente às cidades de Saint-Lô, Le Havre  e Caen. Separada em duas regiões em 1956, os projetos de restauração da unidade da Normandie estão em estudos (ao invés de manter separada como Haute e Basse).

Para mim trata-se de uma das regiões que sempre quis conhecer por 4 grandes e ótimos motivos:
- Adoro assuntos ligados à 2ª Guerra Mundial e foi por lá que deu-se a invasão das tropas Aliadas;
- Contexto histórico de Rouen como antiga capital da France;
- Amo Claude Monet e queria percorrer os lugares que ele explorou em seus quadros de forma precisa,
- Le Mont Saint-Michel

Mas no final, descobri muito mais coisas e muito mais afinidade!

 

 

GIVERNY

 

Fondation Claude Monet

 

Fachada da casa de Monet

Fachada da casa de Monet

Fondation Claude Monet é uma organização sem fins lucrativos que te como objetivo preservar a casa e os jardins de Oscar Claude Monet.

Monet viveu em Giverny de 1883 até sua morte em 1926. A estrutura e decoração da residência que vemos hoje é praticamente igual de quando o pintor morava nela. As paredes pintadas de rosa foram mantidas, e as cores da própria paleta do pintor foram utilizados para o interior verde e das portas e janelas, amarelo na sala de jantar e para as cópias de gravuras japonesas do séculos 18 e 19 (que ele ganhou), e azul para a cozinha.

Monet tinha o rio Epte parcialmente desviado para os seus jardins e contratou sete jardineiros para cuidar dele. Quando Monet morreu em 1926, toda a propriedade passou para seu filho Michel, mas como Michel nunca passou um tempo em Giverny, esta foi deixada para a cunhada, Blanche Monet-Hoschedé, filha de Alice e viúva de Jean Monet (o irmão mais velho de Michel), para cuidar do jardim com a ajuda do ex-jardineiro-chefe Louis Lebret. Depois que Blanche morreu em 1947, o jardim foi negligenciado.

Com a morte de Michel Monet em um acidente de carro em 1966, ele havia legado a propriedade para a Académie des Beaux-Arts. Desta forma, a partir de 1977, Gérald Van der Kemp, então curador do Château de Versailles desempenhou um papel fundamental na restauração da Casa e dos Jardins, que havia sido deixado em estado de marginalização. Em uma tentativa de levantar fundos para a restauração e manutenção da residência, ele e sua esposa Florence apelaram a doadores americanos através do "Versailles Fundação Giverny Inc.". Foi a partir daí que a restauração deu início.

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Clos-Normand: Jardin de Monet

Clos-Normand: Jardin de Monet

 

A Fondation Claude Monet foi criada em 1980 e a propriedade foi declarada pública. Rapidamente se tornou um sucesso e agora recebe visitantes de todo o mundo de Abril a Novembro.

Quando Gérald Van der Kemp morreu em 2001, Florence Van der Kemp tornou-se a curadora da Fondation e continuou reformando o imóvel até a sua morte em 2008. Hugues Gall foi nomeado diretor da Fondation Claude Monet pela Académie des Beaux-Arts em março de 2008.

Os jardins são divididos em duas partes distintas, que foram restauradas de acordo com a própria especificação e visão artística de Monet, como exemplo, temos o Clos-Normand (o jardim principal) que foi remodelado conforme registros de quando ele se estabeleceu em Giverny. Para quem nação sabe, Monet passou anos transformando o jardim, plantou milhares de flores em padrões retas-alinhadas. É possível sentir até hoje o amor dele por este lugar, além de sua presença em cada espaço.

Do outro lado da estrada do Clos-Normand, Monet adquiriu em 1893 um pedaço de terra vazio, que ele transformou em um jardim d'água, desviando a água do córrego Ru que é um braço do rio Epte. Esse jardim se tornou famoso durante sua vida com sua série de pinturas monumentais como o tema as Nymphéas. O jardim d'água é marcado pela fascinação de Monet pelo Japão, com a sua ponte japonesa verde e plantas asiáticas. As nenúfares foram meticulosamente cuidadas por um jardineiro empregado especialmente para esse fim.

A maioria das pinturas de Monet estão mantidos no Musée Marmottan Monet em Paris. No entanto, a casa de Monet é o lar de uma coleção de mais de 200 ukiyo-e, gravuras japonesas dos séculos 18 e 19. Entre as peças mais notáveis são obras de Kitagawa Utamaro (1753-1806), Katsushika Hokusai (1760-1849) e Utagawa Hiroshige (1797-1858).

O lago com a ponte japonesa ao fundo

O lago com a ponte japonesa ao fundo

 

Eu não consigo explicar como me emociono quando estou perto de algo relacionado a Monet. Digamos que estar finalmente na casa dele me proporcionou me conhecer ainda mais! Pois é... é algo tão inexplicável que prefiro manter em segredo! Mas eu chorei, senti meu coração na boca, não queria ir embora e agora encontrei o segundo lugar na face da Terra que mais amo!

Vale lembrar que a lojinha da Fondation é meio grande e com itens interessantes. O que mais me chamou a atenção foram os itens  "hand made" e comprei uma gelee de pomme €4,50 (geleia de maçãs) super doce mas me faz lembrar do lugar! Como não é permitido tirar fotos do interior da casa de Monet, comprei dois cartões grandes com fotos da casa, sendo: photo 24x30 cuisine €2 + photo 24x30 salle a manger €2.

Informações:
Horário de funcionamento: Aberto diariamente do fim de Mar a fim de Out das 9h30 às 18h.
Entrada: €9,50 (há vários tipos de bilhetes conjugados com outros museus, até o Orangerie de Paris. Para saber mais acesse aqui)
Endereço: 84, Rue Claude Monet 27620 Giverny
Proibido tirar fotos dentro da casa.

Como ir de trem: Nós fomos de carro, mas para sair de Paris de trem deve pega-lo na estação Gare Saint-Lazare. Compre o bilhete da rede ferroviária SNCF com destino à cidade de Vernon (na rota Paris-Rouen). A rota deve levar mais ou menos 50 minutos e quando você chegar na estação de Vernon haverá um ônibus pago (não sei o valor) que leva turistas para Giverny e o trajeto leva mais 20 minutos.

Quando você comprar o bilhete no site da SNCF ou na bilheteria da Gare, não esqueça de marcar a opção “Trajets directs uniquement”. Desta forma a viagem será sem escalas.

 
Para quem quiser saber que tipo de flores irá encontrar no Clos-Normand, lá vai a dica (alguns nomes não estão traduzidos para o português):

Abril: narcissus, tulipa, jacinto, jonquil, pansy (ou amor perfeito), fritillaria, margarida (ou Asteraceae).
Maio: azáleasRododendro, início da florada dos Íris, wallflower (ou erysimum), wisteria.
Junho: rosa, clematis, poppy, laburnum, juliennes (ou Hesperis matronalis), tamarix.
Julho: rosaclematis  snapdragon (ou antirrhinum), tabaco (provavelmente do tipo nicotiana rustica), salvia, verbena, soleil (provavelmente girasol), sanvitalia, coreopsis, dahlia, cleome, cosmos, rudbeckia, gladiolus, ageratum, malvas, início das nenúfares (ninféias)
Agosto: dahliacosmos, hibiscus e fim das nenúfares.
Setembro: começo dos tropaeolum majus (conhecido na France como capucines) no corredor central, asterdahliacosmos, rudbeckias ...
Outubrodahlia até início da geada

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Almoçando em Giverny

 

ancien-hotel-baudy-01Li uma vez que, estando em Giverny, a recomendação para almoçar é no restaurante Ancien Hotel Baudy. Ele é famoso por ter recebido Cézanne, Renoir, Sisley, Rodin, Mary Cassatt, entre outros. Então só isso já era motivo de visita.

Estava cheio e infelizmente não comi dentro do restaurante, mas deu tempo para tirar fotos do balcão de entrada! Almoçamos no jardim da frente do restaurante e o sol estava mostrando que estava vencendo as nuvens.

ancien-hotel-baudy-02Eu pedi um Balorine de Volailles ou em inglês, o Culin Cicken Roll que é uma massinha de frango em formato arredondado com molho cremoso de cogumelos e batatas gratinadas como acompanhamento. Este prato me custou €14,90 e estava bom, era interessante... Mas nada muito excepcional. O atendimento, porém estava meio confuso com tantos clientes para atender.

Para chegar lá, saindo da casa de Monet você segue para a esquerda e vai andando reto. Você vai encontrar facilmente.

Endereço: 81 Rue Claude Monet, 27620 Giverny.
Telefone: +33 2 32 21 10 03

 

 

Musée des Impressionnismes

 

musee-impressionnismes-01Quando comprei pelo site os ingressos para a Fondation Monet, além de ter sido a melhor dica que eu li (porque não precisamos ficar na fila chatinha para comprar ingressos), aproveitei e comprei a entrada para o Musée des Impressionnismes que foi inaugurado em 2009 num edifício projetado em 1992 por Reichen et Robert. Este museu não deve ser confundido com a Fondation Claude Monet, ok? Este fica a uns 100 metros da casa de Monet (entre a casa dele e o restaurante Baudy).

Desde a sua inauguração, a missão do museu é explorar o movimento estético para além do círculo de pintores geralmente reconhecidos e também os que vieram após os grandes mestres. No dia que fomos havia uma exposição de artistas impressionistas americanos e foi muito interessante.

O acervo do museu é notável. Além de algumas obras de Monet, como o "Lírios com ramos de salgueiro", possui obras de outros artistas da mesma escola como Sisley e Maurice Denis. Há fotos de Monet no seu jardim... nossa... eu amo muito ele!

musee-impressionnismes-02A loja do museu também é boa, apesar de pequena, possui muitos livros sobre Monet e suas obras, miniaturas da casinha dele (que um colega tinha em cima de seu CPU na Cinemateca Brasileira e eu sempre, incansavelmente, ficava "namorando" este souvenir), mas o que mais me chamou a atenção foram os pequennos sachês de chás. Eram tão baratinhos (Noir de rose, Rooibos Amour de violette e Thé noir au Coquelicot)... por €2,5 e dá pra fazer uns 3 bules pequenos cada... eu já tomei um, uma delicia!

Informações:
Horário de funcionamento: de Março a fim de Setembro aberto todos os dias das 10-18h, inclusive feriados. Cheque a agenda no site do museu, porque a cada ano a programação pode mudar.
Endereço: 99, rue Claude Monet, Giverny
Fechado: de 30 Junho a 10 de julho de 2014
O museu é acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida.
Proibido tirar fotos
Entrada: € 7

 

E foi assim que, mesmo não querendo ir embora, segui viagem a Rouen no dia 20 de Abril/2014, domingo de Páscoa! Todas as vezes que estiver em Paris ou na France, vou reservar um dia para voltar a este lugar mágico! É tão mágico e poderoso que, mesmo com muito frio as flores estavam fortes, nenhuma queimada ou murcha. Ainda mais sabendo que a cada época do ano o jardim fica com cores e até flores diferentes (veja a descrição das floradas mais acima)! Não vejo a hora de voltar!

 

 

Chegando em Rouen (de carro)

 

Depois que você sai de Paris em um domingo de Páscoa, chega em Giverny naquele mesmo domingo e vê tudo aberto, é normal pensar que toda a France turística também estará. Mas quando chegamos a Rouen, levei um susto porque eu sabia que é uma cidade com turismo forte e cerca de 90% dos estabelecimentos comerciais e culturais estavam fechados.

Era fim de tarde, o sol estava gostoso (ele chegava às 16h após vencer as nuvens e ficava até 20h). Tivemos várias dificuldades, começando pela localização do hotel. Estávamos sem GPS e meu 3G do celular não funcionou, então usei um aplicativo para celular (Ulmon PRO) previamente alimentado com os pontos turísticos e com a localização do hotel. Porém, o hotel fica bem no meio do centro histórico e não tínhamos certeza se poderíamos andar de carro nos calçadões. Após 3 voltas decidi descer do carro e ir a pé até o hotel (ler no fim desta página sobre impressões do estabelecimento) e lá o recepcionista me mostrou no mapa como me localizar naquele labirinto... é tanta gente com a mesma dúvida que ele já tinha um mapinha pronto com indicação do estacionamento do hotel.

A segunda dificuldade foi achar algum lugar para comer. Nas minhas andanças naquele mesmo fim de tarde, acabei comendo um lanche que nem lembro que gosto tinha. Mas à noite, para jantar, como fomos lá pelas 21h no centro histórico, já não tinha mais nada a nos oferecer... somente bebidas alcoólicas.(dos bares).  Não se bebe como alternativa de refeição básica do dia, ao menos se você é alcoólatra! Voltamos ao hotel de estômago vazio e assim ele ficou, já que o hotel não possui jantar (nossa última esperança).

 

 

ROUEN

 

rouen-01Rouen já foi uma próspera cidade medieval e é hoje a principal cidade da Haute Normandie (Alta Normandia). Foi fundada na época do imperador Augusto no primeiro século da nossa era, mas foi no século III que a cidade romana alcançou seu período de maior desenvolvimento, com um anfiteatro e termas. Nos séculos seguintes, a cidade sofreu com as invasões dos povos bárbaros e presenciou a chegada definitiva do cristianismo. Foi invadida pelos vikings normandos no século IX e o chefe viking Rollon tornou-se, assim, o primeiro duque da Normandia (!!! uau, você sabia disso?). Um dos duques, Willian, o Conquistador, conquistou a England em 1066 e ligou Rouen às possessões normandas nas Ilhas Britânicas. Desta forma, todos aqueles conflitos entre os dois países iriam começar!

O reinado normando terminou em 1204, quando Philippe II invadiu Rouen e a anexou a Normandie ao reino da France. A cidade continuou sendo um importante centro comercial, chegando a ser a segunda cidade mais importante do reino. 

Guerra dos Cem Anos com a England e a peste negra, foram fonte de muitos problemas para a cidade no fim da Idade Média e o povo se revoltou. A cidade perdeu seus privilégios comerciais no comércio do rio Seine, o que favoreceu o status de Paris como nova potência comercial. No contexto da guerra, e após a Batalha de Azincourt (1415), os ingleses cercaram e tomaram (mas o correto é falar que "retomaram") a cidade em 1419. Foi neste cenário controlado pelos ingleses que foi aprisionada e executada Jeanne d'Arc, em 30 de maio de 1431.

Na Renascença, a cidade viveu um grande desenvolvimento econômico graças à pesca, os tecidos de lã e a tapeçaria, além de outros produtos como o sal, trazidos pelos navegadores. Na busca de pigmentos para os tecidos, os comerciantes da cidade interessaram-se pelo pau-brasil (isso mesmo! a madeira brasileira) que era fonte de um pigmento vermelho, o que fez de Rouen o principal porto de entrada desta madeira na Europa no século XVI. No campo artístico, floresceu uma arquitetura renascentista com muitos elementos góticos, como no Hôtel de Bourgtheroulde e no Palácio de Justiça (entre fins do século XV e inícios do seguinte).

rouen-02O século XVII foi período de relativa estagnação da cidade, que, porém, continuou a ser parte importante na economia francesa, participando ainda na colonização da Nova France, no Quebec, Canada.

No século XVIII, Rouen é parte ativa no comércio triangular entre África, onde eram adquiridos escravos, e as colônias francesas das Antilhas, onde os escravos eram trocados por açúcar. Além disso, a cidade continuava a se destacar como um centro de fabricação têxtil, sendo o trabalho com algodão a base da economia.

A Revolução Francesa é relativamente moderada em Rouen. Os bens do clero são nacionalizados e a catedral gótica é transformada em um templo dedicado à razão. A industrialização chegou no século XIX e com ela as fábricas de tecidos, o trem ligando a cidade a Paris em 1843, o projeto de urbanismo é modernizado com a criação de novas ruas e praças, e são construídas estações de trem, teatros e museus. A vida cultural é muito ativa, com nomes como o escritor Gustave Flaubert (nascido em Rouen em 1821) e o poeta Guy de Maupassant, que estudou na cidade. Também é famosa a obra dos pintores impressionistas na cidade, especialmente a série de obras de Claude Monet retratando a Catedral de Rouen.

Em 1940, a cidade foi invadida por tropas germânicas e ficou dominada durante 4 anos. A cidade foi destruída em bombardeios que mataram aproximadamente 2.000 pessoas. Rouen foi libertada em 1944 por tropas canadenses e de lá seguiu-se um longo período de reconstrução. Na segunda metade do século XX, o crescimento demográfico da cidade fez com que novos bairros fossem construídos, o centro histórico foi revalorizado e várias ruas foram transformadas em zonas sem carros.

Não deixe de passar pelas Rue Eau de RobecPlace du Vieux-Marche e a Rue Saint-Romain.  Você verá exemplos clássicos de prédios medievais muito bem conservados. Mesmo com quase tudo fechado, devido ao domingo de Páscoa, o passeio foi bom e tranquilo. A cidade possui muitos jovens e é bonita e harmoniosa. Este tipo de arquitetura medieval era o que eu esperava ver quando fui à Deutschland (Alemanha). Eu sei que o país germânico foi bem mais bombardeado que a France, mas meu subconsciente do que é medieval era e ainda é exatamente isso o que eu vi no norte da France. Amei!!

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Cathédrale Notre-Dame de Rouen

 

A atual Cathédrale Notre-Dame de Rouen não é o prédio original, antes existia uma outra igreja românica de 1063. Em 1145, o arcebispo Hugo III de Amiens começou a construção de uma nova catedral em estilo gótico. Mas em 1200 um incêndio destruiu parte da nave. 

Os trabalhos da catedral foram em grande parte realizados ao longo do século XIII onde, na fachada principal, a torre da esquerda (a Torre de São Romão - Tour Saint Romain) data da segunda metade do século XII, assim como os dois portais laterais da fachada.

Já as fachadas do transepto, com os portais da Livraria e das Calendas, foram realizadas a partir de 1280 e só foram concluídos em meados do século XIV. No século XV foi construído o coroamento da Torre de São Romão e toda a torre da direita, conhecida como Torre de Manteiga (Tour de Beurre), assim chamada porque parte do seu custo foi pago com doações para o uso de manteiga consumida durante a quaresma. A construção desta torre desestabilizou a estrutura da fachada da igreja o que levou a uma reconstrução do portal principal entre 1508 até 1520.

A agulha sobre a torre-lanterna do cruzeiro foi construída entre 1825 e 1876, para substituir a anterior do século XVI, destruída num incêndio em 1822. Com essa nova agulha, a igreja foi considerada a edificação mais alta do mundo entre 1876 e 1880.

Entrei na catedral e ela é bem no estilo das grandes catedrais francesas, com aquele teto bem alto e tudo bem largo e espaçoso. Teve um momento em que alguém começou a tocar o órgão, e eu nunca tinha ouvido o órgão de uma igreja tão grande... certamente alguém estava ensaiando ou testando. Achei lindo apesar do som meio contemporâneo...

Como você pode notar, a fachada estava em reformas, tirando um pouco a visão do todo. Uma pena, mas prédios tão antigos sempre passam por reformas/restauros.

Informações:
Horário de funcionamento: Seg 14-18h, Ter a Sab 09-19h e Dom 08-18h
No inverno (novembro a março) fechada das 12h às 14h (exceto domingo e segunda-feira) e, à noite, às 18h00.
Visitas guiadas para grupos (19 pessoas no máximo) com visita à cripta e ao batistério da capela da Virgem. Reserva pelo telefone 02 35 71 51 23 (€2/pessoa). Todo sábado e domingo. Durante as férias escolares de Natal e Fevereiro as visitas são todos os dias. Durante as férias da Páscoa as visitas são realizadas todos os dias. Durante as férias de verão, visitas todos os dias.
Endereço: Rues des Faulx, Abbé-de-l’Épée, Place Saint-Vivien, 76000 Rouen

 
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Antes de irmos embora rumo a Étretat na manhã do dia 21 de Abril/2014, andamos pela cidade que estava preguiçosa... havia um lixeiro limpando as ruas, o caminhão de limpeza com água passando, alguns pedestres, nenhum lugar para tomar café da manhã e no final vimos um senhor até que bem vestido se masturbando no meio da rua! Que cena insólita! Ele estava incomodado porque eu acho que ele não estava atingindo o seu objetivo, mas fiquei com receio dele correr atrás da gente. Mas deixo claro que este episódio foi totalmente isolado! Coisas deste tipo podemos encontrar em qualquer lugar!

Depois disso e esfomeada, tomei café da manhã no hotel por €15... sim... é caro!

 

 

ETRETAT

 

Falaise d'Aval

Falaise d'Aval

A comuna de Étretat é mais conhecida por suas falésias, incluindo três arcos naturais e a "agulha" pontiaguda. Estas falésias e o resort de praia atraíram artistas como Eugène Boudin, Gustave Courbet e Claude Monet, e ganharam destaque no romance de 1909 intitulado "Arsène Lupin" (The Hollow Needle - "Ladrão de Casaca", em português) de Maurice Leblanc.

Dois dos três arcos famosos são vistos a partir da cidade, o Porte d'Aval, e a Porte d'Amont. O Manneporte é o terceiro e o maior, e não pode ser visto a partir da cidade.

Para mim, este lugar representa mais do que uma beleza natural com famosas falésias. É algo mais transcendental que prefiro guardar para mim. Conheci Étretat por intermédio dos quadros de Monet e sempre me emocionei com suas obras e sempre tive vontade de conhecer os lugares que ele pintou, e afirmo... os lugares são igualmente emocionantes quanto os quadros dele!

Chegando em Étretat  no dia 21 de Abril/2014, a ansiedade era ir até o topo de algum lugar para ver as falésias inserida em um contexto maior daquilo que se imagina. Então rapidamente avistamos uma placa que dá para a Chapelle Notre dame de la Garde que fica no alto de uma outra falésia (a Porte d'Amon). Há uns dois pequenos estacionamentos gratuitos lá no topo e espero que você consiga uma vaga! Esta capela foi construída pelos moradores que decidiram consagrá-la à Virgem após uma missão pregada pelo Padre Michel em 1854. O prédio original foi destruído em agosto de 1942, mas uma nova capela foi construída e inaugurada em 1950. Quando você vai subindo até esta capela, vê do alto a falésia mais famosa.

Sendo o cenário de Monet, fiquei imaginando ele andando pra lá e pra cá com seus materiais de pintura. Minha emoção foi grande ao sentir aquele ambiente único! Mesmo com vento gelado, esqueci as adversidades da natureza e tentei absorver ao máximo tudo o que pude, foi mágico para mim!

Deixamos o carro neste estacionamento e descemos até a praia através de uma escadaria. Chegando na praia fiquei surpresa em descobrir que lá não há areia e sim pedras! Sim! Pedras arredondadas e lisas que era até difícil andar sobre elas, quase levei um tombo! Eu adorei demorar horas para chegar até a gruta da falésia, porque para mim, foi como vencer uma maratona! Tinha pedras tão grandes, que não conseguia acreditar que era algo formado pela natureza! O som do mar batendo contra as pedras e rolando-as é delicioso! E há um tipo de corrente d'água embaixo de todas essas pedras, que corre sob os seus pés e você nem percebe, mas só se observar bem e de perto!

Rumo ao Falaise d'Aval

Rumo ao Falaise d'Aval

A falésia "de trás" a Porte d'Amon

A falésia "de trás" a Porte d'Amon

Para ter uma ideia de onde se pisa

Para ter uma ideia de onde se pisa

Resquícios de piscinas de ostras

Resquícios de piscinas de ostras

etretat-06Chegando mais perto da falésia o grau de dificuldade vai mudando, porque fica um escorregadio diferente para andar porque agora são as algas que dificultam o passo, além de um tipo de coral morto. Dá muito medo de levar outro tombo e a concentração de pessoas ao seu lado vai aumentando.

Notei um tipo de estrutura como fundações de casas quase no pé da falésia. No começo achei que algumas pessoas habitaram o local, mas a pesquisa que fiz me indicou que estas estruturas eram criadouros de ostras do Marquês de Belvert para a rainha Marie Antoniette. As ostras não eram naturais de Étretat e foram levadas para lá da baia de Cancale e desenvolvidas e multiplicadas nestas fundações. Então, o que eu achava que eram fundações de residências eram criadouros de ostras! Parece que a rainha adoravao sabor das ostras cultivadas lá, eram únicas!

A meta era chegarmos o mais próximo possível e entrarmos na gruta. Diz a lenda que um dia de 1792, quando o mar estava agitado, um barco sueco foi jogado contra os rochedos. Os habitantes de Étretat só podiam assistir ao horror do naufrágio, não havia como ajudar os ocupantes do navio. Após 24 horas, os ventos se acalmaram e as ondas recuaram, revelando uma gruta e no fundo desta repousava um homem desmaiado, o único sobrevivente do naufrágio. A "gruta" que recorda este episódio hoje pode te levar à praia de Jambourg do outro lado.

etretat-07Ao chegarmos na gruta o mar ainda estava meio distante (veja as fotos) e ficamos observando umas gosmas que saíam das rochas e era a coisa mais esquisita do mundo, pareciam alienígenas. Perguntei a um casal de franceses o que era aquilo e nos explicaram que eram anêmonas... o rapaz mostrava encostando o dedo, coisa que eu não tive coragem de fazer. Ao lado, haviam umas conchinhas com formato achatado e eles falaram que é usado para a culinária. Bem... não toparia aquele dia...

E resolvemos subir a escada íngreme que existe lá dentro e quem sabe ir pro outro lado... Neste momento alguns rapazes vinham correndo na direção contrária e não entendemos o motivo. Quando chegamos lá em cima, minha amiga lê a placa que lá estava em voz alta: "aqui é um ponto seguro, não entre em pânico caso a maré suba". E neste momento olhei pela passagem lá embaixo por onde passamos para entrarmos na gruta e disse: "Maré subir... tipo agora???" Nossa, que desespero! Descemos a íngreme escada praticamente com dois passos e o mar estava no meio da minha perna! Morri de medo de ficar na gruta à deriva, sem chances de resgate, com frio, fome e enfim... desolada! Hahahahaha. Foi uma super aventura! Enquanto corríamos de volta à praia com as canelas molhadas eu ficava pensando no frio, no carro, nas malas dentro do carro, de um almoço, enfim... Pensei em tudo em apenas 10 segundos!

Saiba mais sobre os horários da maré antes de ir passear, esta é a lição deste dia! Ah! E fique sabendo que se você estiver na praia do outro lado (Jambourg), quando a maré sobe não haverá chão para você, não haverá um lugar alto e seguro para você se refugiar, somente a passagem que dá para esta gruta da foto acima (depois que subir plenamente, a maré volta a descer em aproximadamente 6 horas)! Vale lembrar que a falésia é um organismo da natureza e foi moldado pelo vento e água do mar, então, fique atento a tudo porque em Julho/2013 houve uma grande erosão em uma parte dela, assustando e muito os turistas que estavam próximos.

etretat-08Com meia perna molhada mas aliviada, nos sentamos à beira mar, no "calçadão" de Étretat onde as barraquinhas de comidinhas são uma gracinha e a que escolhemos ninguém falava inglês (lembrem.... eu tenho francês básico e até que foi o suficiente), mas o atendimento foi ótimo e muito atencioso com aquele sorriso largo no rosto, coisa de quem tem satisfação no trabalho que executa. Foi um momento único onde comemos batatas fritas e hot dog (deu vontade de comer uma comida podreira) olhando o Mar da Normandie (tecnicamente chamado de English Channel)! Este mar que já recebeu vikings, ingleses, piratas e soldados aliados da guerra. Estava frio e meu chá quente esfriou em minutos.

Adorei ver as casinhas de pescadores que Monet retratou em seus quadros quando ficou na cidade por 3 semanas em 1883 (no mês de Fevereiro... imagina o frio). Abastecidas, subimos a falésia da igreja novamente e nos trocamos no carro. Descemos até a cidade, achamos um estacionamento público (acho que ficou uns €4,20) e fomos explorar a cidade.

etretat-10Em Étretat descobri que além das fenomenais falésias, a cidade possui muito mais atrativos e descobri também que é uma comuna pertencente ao departamento Seine-Marine. O seu centro histórico é cheio de prédios muito bem conservados, muitas pessoas vão lá para aumentar as estatísticas turísticas, então, tenha certeza de que é difícil estacionar.

A cidade possui vários restaurantes e é bem agitada. Não estava na alta temporada e mesmo assim a agitação é aparente. Muitas casas de madeirame aparente e arquiteturas diferentes são atrativos à parte. Parece uma cidade montada de tão perfeitinha que é.

Uma loja de doces me chamou a atenção, onde escolhi aleatoriamente um doce chamado Le Paris-Brest feito de patê à choux aux amandes effilées, crème mousseline pralinée, coeur fondant de praliné... resumindo, era um tipo de massa levíssima com um creme mousse de amêndoas suavemente gelada, com pouco açúcar e extremamente delicioso. Custou €2,60 e só sei que fui muito feliz na minha escolha! O nome deste lugar irresistível é "Au George V" - Maison COKELAER e o endereço é 19, Avenue George V, 76790 Étretat,  aberto até 19h30.
 
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Como chegar a Etretat:
Além do carro, você pode pegar um trem até Breaute e pegar um ônibus da Ligne n°17: BREAUTE – ETRETAT ou até LE HAVRE e depois pegar ônibus.

 

 

Check List

 

Quantos dias ficar: Em Giverny você vai levar quase um dia inteiro. Depende muito o que você quer fazer. Nós levamos exatamente umas 6 horas fazendo tudo com calma. Andar um pouco mais na cidade ou andar por Vernon que é a cidade de parada para quem foi de ônibus pode levar mais tempo. 

Quanto custa: Dependendo do que você deseja, estes valores podem mudar, mas você consegue encontrar boas refeições a partir de €15. Há quem prefira comprar um lanche, custando cerca de €8 com alguma bebida não alcoólica. Nós mesmas não perdemos muito tempo parando para comer em restaurantes.
As entradas não são tão caras, variando entre €7 a €12

Maneiras para chegar:
 - De Paris para Giverny: você pega o trem na Paris St Lazane (€10 a €15), desce na cidade de Vernon e pega um ônibus até Giverny (€2). O deslocamento pode levar até 2 horas, mas há quem diga que em 40 minutos você chega neste esquema.
 - De Paris para Rouen: Você pega o trem na Paris St Lazare e chega em Rouen em 1h10mins (€18~€35 dependendo da classe que você escolher)
 - De Paris a Etretat: Você pega um trem na Paris St Lazare (€28~€60 dependendo da classe), desce na cidade Le Havre e paga um ônibus (€13-€19). A viagem pode levar um pouco mais de 4 horas.

 


 

 

Mais lugares para conhecer:

 

EM ROUEN:

OUTROS LUGARES PRÓXIMOS:

  • Li uma vez sobre Trouville-sur-Mer que é uma cidade costeira pertinho de Honfleur. As fotos do lugar revelam uma cidade pacata com casinhas charmosas e peculiares.
  • Dieppe é uma cidade costeira com um porto grande mas com menos cara de "boêmio" que Honfleur. Possui vasta história, porque já foi um porto muito importante para a France, além de ter sido palco para a batalha de Dieppe da 2ªGM.
  • E como já citado mais acima, Deauville que é um balneário.
  • E não perca a chance de conhecer Les Andelys. Eu infelizmente perdi a oportunidade mas com certeza teria buscado com mais paciência e vontade uma vista no alto para o Château Gaillard e lo rio Sena fazendo uma curva. Se estiver de carro não é desculpa para não passar por lá!

 


 

 

Clique na imagem abaixo para abrir o mapa dos locais indicados neste site:

 

mapa baixa normandia

Hospedagem:

 

Em ROUEN ficamos no Mercure Rouen Centre Cathedrale. É um hotel 4 estrelas no meio de todos os pontos turísticos que eu queria conhecer na cidade. Possui estacionamento sem manobrista com elevador direto aos quartos e custa €11,25  a diária. A cidade cobra uma taxa de permanência de €0,90 por pessoa e por noite. O complicado foi achar a entrada do hotel de carro. Mas no fim, conseguimos. O atendimento é ótimo. As áreas comuns do hotel e os quartos são bem reformados, dando aparência de ser tudo novo. De todos os Mercures que eu fiquei na vida, este é eleito por mim como o melhor. Café da manhã por €16,28, sem restaurante. Endereço: Rue St Nicolas, et Rue Croix de Fer, Rouen, 76000.

Na mágica HONFLEUR o hotel da vez foi o ibis Styles Honfleur Centre Historique que é um 3 estrelas e fica quase a 300 metros do fantástico porto de Honfleur. Apesar de outros hotéis ficarem próximos da boca do porto, pelas fotos fiquei meio receosa.. Então, vamos no padrão da rede Accor mesmo... Não possui estacionamento, porém há um estacionamento público descoberto bem em frente, o que facilita o remanejo de malas (€14). As áreas comuns do hotel mais pareciam feitas para crianças, possui quartos simples e eficientes. A cidade taxa de permanência de €1,10/pessoa/por noite.

Outras opções de hospedagens:
- Em Rouen você pode procurar o Le Vieux Carré, 3 estrelas bem simples mas parece ser bem conservado. Boa localização.
- Caso queira ficar uns dias em Etretat, procure o Domaine St Clair, 3 estrelas, e com certeza eu me hospedarei aqui quando voltar à Etretat.
- Para o Mont Saint Michel, lá dentro, a opção barata é o Terrasses Poulard, um 3 estrelas um tanto mais caro mas parece ser simpático.

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