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Os rumos que as Companhias Aéreas e Aeroportos estão tomando devido ao COVID-19
Postado por Estela T em julho 21, 2020 Editado em agosto 20, 2020

Afinal, quais os rumos que as companhias aéreas e aeroportos estão tomando e qual é a perspectiva do cenário mundial da aviação em um mundo com o COVID-19.

Obviamente na medida que as descobertas sobre o “novo coronavírus” avançam a cada dia, o setor do turismo no mundo todo está se adaptando e vislumbrando medidas para operar antes, durante e depois da descoberta de uma vacina e melhoria do controle de contágios.

United Nations covid-19 response Unsplash

United Nations covid-19 response Unsplash

Neste post coletamos algumas informações e questionamentos sobre estas adaptações. Porém é preciso deixar claro que em hipótese alguma temos a intenção de incentivar viagens neste momento. FICA EM CASA, só saia se realmente precisar. Este post possui como único objetivo mostrar o que estão desenvolvendo, implementando, adaptando e pensando para tornar uma viagem aérea a mais próxima possível do ideal esperado de segurança, mas em nenhum momento este post assume como verdade de que tais medidas apresentadas são realmente eficazes e 100% à prova do COVID-19 (inclusive, se você ler o post inteiro, vai perceber alguns questionamentos e os desafios de implementação de várias soluções).

#FICAEMCASA #SoSaiaSeRealmentePrecisar #SalveVidas #FiqueBem #IsolamentoFísicoNãoSocial #Cuidedequemvoceama

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Falência de Companhias Aéreas

A cada mês ficamos ainda mais apreensivos ao sabermos de um novo pedido de falência ou recuperação judicial de empresas de aviação no mundo todo. Conforme a matéria de Laura Bloom para a Forbes em Junho de 2020, A IATA – International Air Transport Association informou que as perdas globais na área da aviação podem chegar a bilhões de dólares e, no mês anterior, a consultoria de aviação CAPA  previu que “a maioria das companhias aéreas do mundo falirá” sem ajuda, cogitam inclusive que dentre elas está a American Airlines.

A MarketWatch aponta que uma das preocupações levantadas de um estudo recente, é que algumas companhias aéreas que ainda estão operando, distribuíram USD 10 bilhões em vouchers devido à queda de 97% do  volume de passageiros nos Estados Unidos devido à pandemia, um patamar alto nunca mais visto desde os anos 50. Porém o problema será a dificuldade em receber o reembolso, caso o passageiro queira cancelar a viagem, algo que inclusive já está acontecendo e sendo percebido nos escritórios de advocacia americanos.

Por enquanto não dá para saber o que vai acontecer e por isso mesmo, se comprometer com a compra de passagens aéreas neste momento pode ser arriscado. É bom saber que infelizmente não há garantia de que uma companhia aérea que esteja entrando em falência reembolsará os passageiros por seus bilhetes pendentes, já que os investidores serão pagos primeiro.

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Adaptações das Companhias Aéreas

Mas já sabemos que as companhias que sobreviverem a esta crise, implementarão algumas (senão todas) das seguintes ações:

  • Novos sistemas de embarque e desembarque (evitando aglomeração de filas e corredores dentro dos aviões) onde a ocupação das poltronas do fundo terão prioridade de embarque e sempre respeitando o distanciamento físico;
  • Novo menu de refeições oferecido aos passageiros, sendo estes mais simples e “prontos”, não havendo mais menus que exigiam manipulação humana dentro dos aviões, ou seja, para os que estavam acostumados a refeições preparadas por chefs, isso agora fica no passado;
  • Mudança na cobrança de despacho de bagagem, limitando ainda mais esta necessidade;
  • Aviões enormes deixarão de operar, como por exemplo o modelo A380 da Airbus (que possui capacidade para 407 a 853 pessoas), este inclusive já deixou de ser operado pela Air France, segundo o site AirWay;
  • Número de escalas de um vôo pode aumentar já que algumas companhias aéreas que faziam determinadas linhas faliram, fazendo com que as que permanecerem, passem a suprir estas linhas o que acreditamos que seja um ponto crítico para viagens de avião, aumentando riscos no desembarque e embarque de passageiros, por mais que se administre as fileiras de forma sequencial;
  • Escalas mais demoradas devido a necessidade de constante higienização das aeronaves;
  • Modificação dos filtros do sistema de ar das aeronaves para minimizar a possibilidade de contágio, porém não elimina o risco;
  • Entrega de kits de higiene e monitoramento de comportamentos de riscos por parte dos passageiros dentro do avião.
  • Ausência de revistas e catálogos de produtos, bem como compras durante os vôos;
  • Inclusão de testes rápidos para passageiros, porém este ponto ainda é muito sensível, visto que há inúmeras notícias reportando a ineficiência de vários testes rápidos, trazendo resultados imprecisos
  • Exclusão dos bancos do meio.
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Break-even das Companhias

Sobre a exclusão dos bancos do meio elencado nos tópicos anteriores, acreditamos que o valor deles serão repassados para as demais passagens e isso também é o que acredita a IATA – International Air Transport Association no seu levantamento de Maio/2020 para companhias de aviação de vôos comerciais, onde indica que o break-even médio das ocupações por aeronave das companhias aéreas é de 67%, ou seja, para um vôo começar a ter algum lucro, precisa necessariamente ter no mínimo 68% de ocupação da aeronave.

Break-even médio de uma aeronave

Fonte: IATA Economics using data from The Airline Analyst

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Aumento do Valor das Passagens

Dependendo do modelo da aeronave, a ocupação com o distanciamento físico dos passageiros pode variar de 50% a 67%, forçando as companhias aéreas a elevarem o valor das passagens a partir de 43% a 54%.

E isso vai acontecer em quase todas as companhias aéreas do mundo, já que a IATA apurou em 2019 que somente 4 companhias no mundo (em uma amostra de 122) possuíam seu break-even abaixo de 62%. A variação vai depender da região, mas estima-se que as maiores altas serão na região Asiática-Pacífica e América Latina.

estimativa do aumento no valor das passagens aéreas segundo o IATA

Fonte: IATA Economics based on data from the Airline Analyst, DDS and SRS Analyser

De qualquer forma, este é um ponto que até o momento é uma incógnita e há muitos fatores que podem contribuir com esta conta final. Mas segundo o portal online da BBC, dados levantados pelo professor Severin Borenstein da Haas School of Business da Universidade da Califórnia em Berkeley, indicam que aumentos de tarifas no curto prazo não são prováveis. A tendência é que os valores das passagens permaneçam moderadas, porque os custos de combustível neste cenário estão baixos, porém, o aumento das tarifas é iminente, visto que com a falência de companhias aéreas, o número de concorrentes em um mercado diminuiu, o que inevitavelmente aumenta o preço.

Ainda segundo a BBC, as low costs como Ryanair podem ser ainda mais prejudicadas, visto que o diferencial delas para compensarem as tarifas mais baixas era espremer muito mais passageiros nas cabines. Por exemplo, a Ryanair colocava nos seus 189 jatos, 10% passageiros a mais do que outras empresas que operam com o mesmo modelo de aeronave. No mundo do distanciamento físico, esta conta pode não mais valer a pena.

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O que muda nos aeroportos

Obviamente a instalação de proteção para a equipe que trabalha nos aeroportos será adotada, isso podemos perceber até em supermercados. Mas provavelmente o check in online vai se tornar cada vez mais comum e a aplicação de inteligência artificial será cada vez mais mandatória.

Segundo o que apurou o Portal Future Travel Experience em Maio de 2020, a NEC Corporation está implementando tecnologias touchless, ou seja, sem toque, em algumas companhias como a Delta Airlines que funcionam com reconhecimento facial e sensor térmico. Conforme Richard Wilks, diretor da aviação global da NEC Corporation, as soluções usam Inteligência Artificial com baixo custo e que atualmente a tecnologia em operação na Delta Airlines abrange 87% de todos os passageiros internacionais com embarque de identificação facial, onde o software faz a verificação média de 1,5 segundos por passageiro, diminuindo inclusive o tempo do passageiro em filas.

Ainda segundo o portal, a Elenium Automation também oferece tecnologia sem toque, que inclui reconhecimento de voz e digitalização de identificação sem contato, ou seja, caso a pessoa não tenha feito o check in online, ela pode fazê-lo no aeroporto com segurança.

A BAGTAG está desenvolvendo tags inteligentes (ou RFId) para despacho de malas sem a necessidade de um atendente manipulá-las, além de facilitar o processo de retirada das bagagens nas esteiras dos aeroportos. Já a página Airlines IATA indica a possibilidade de que, com a implementação das tags inteligentes, as malas poderão ser enviadas diretamente à casa do passageiro ou hotel, evitando assim a costumeira aglomeração nas esteiras de bagagens.

A Airlines IATA ainda aponta que os passaportes digitais de saúde poderão ser necessários, uma vez que a quarentena de viajantes está sendo exigida por vários países e, sem dúvida, entrará em vigor se houver uma nova onda gigantesca de contágios.

A empresa Xovis usa a inteligência artificial para monitorar o fluxo de pessoas e vai passar a identificar também riscos de aglomerações dentro dos aeroportos para preservar o distanciamento físico. Os sensores Xovis podem ser usados ​​para gerar diferentes mapas de contágio, com foco em contágio absoluto (altos riscos de contágio em áreas movimentadas) e contágio relativo (risco de contágio corrigido pela densidade).

A PhocusWire informou que a British Airlines possui robôs que auxiliam passageiros no fornecimento de informações em tempo real durante as viagens, liberando os comissários para lidarem com outras questões. Os aplicativos de passageiros também estão aumentando e oferecendo vários serviços durante a viagem – tornando-se um concierge digital.

Já a Reuters Events divulgou que a Amorph Systems apresentou detectores de temperatura corporal em tempo real para substituir as medições manuais de cada passageiro, que além de demoradas, pode expor a altos riscos de segurança e contaminação para as equipes dos aeroportos

Para os que estavam acostumados com as áreas VIPs, saibam que estas também sofrerão mudanças como comida e bebida à vontade e aglomerações. Lembrando que as áreas construídas dos aeroportos não serão modificadas neste primeiro momento, então certos aspectos podem ficar restritos, mais distantes ou limitados.

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Desafios das implementações de inteligência artificial e medidas de distanciamento físico

Dentre todos os aspectos tecnológicos que trouxemos neste post e que buscam auxiliar uma viagem ou trânsito seguro, é preciso salientar que boa parte ainda está em desenvolvimento, aperfeiçoamento, implementação e adaptação. Existem dezenas de outras soluções, mas é importante informar que, com o número drasticamente reduzido de passageiros nos aeroportos até a publicação deste post, os sistemas parecem ser eficazes, porém, para picos de demandas de passageiros esperado no futuro, todas estas soluções poderão não ser suficientes, sendo mais um cenário desafiador para todos os envolvidos. Ou não, pode ser que seja sucesso. Como saber?

Além disso, existem vários outros desafios na implementação de algumas soluções tecnológicas, pois requerem alinhamento e aprovação de um ecossistema diversificado e complexo de companhias aéreas, aeroportos, empresas de solo, reguladores, comércio, polícia e alfândega. Além disso, existe ainda um grande problema de integração de dados de TI destes players, desconfiança quanto ao uso ético de dados de passageiros (incluindo aí um outro player, o governamental), riscos de ataques cibernéticos feitos por hackers e, por fim, o compartilhamento do risco de investimento onde todas as partes têm interesse nos benefícios destas tecnologias, no entanto, cada player possui uma filosofia de risco, o que dificulta a concordância com um plano de co-investimento.

Os desafios descritos acima são significativos e dificultam muitos projetos de digitalização. É necessário que os players encontrem o caminho do meio para gerenciarem a inovação de maneira construtiva e viável.

Além disso, as startups enfrentam muitas barreiras para implementarem inovações na aviação (aprovações regulatórias, alinhamento com companhias aéreas, aeroportos, etc.) sendo necessário o setor evoluir neste ponto também.

Ainda há aqueles que apostam que a vacina vai surgir rapidamente e que tais implementações levantadas neste post não serão mais necessária. Bom, pelo sim ou pelo não agora já sabemos mais ou menos um dos caminhos que podem surgir no futuro próximo.

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Aumento do Consumo de Descartáveis Plásticos

Por fim, trazemos um alerta: aumento do consumo de descartáveis plásticos no mundo.

Lógico que este ponto não vai ser causado exclusivamente pelo setor, mas a pandemia por si só aumentou, infelizmente, o consumo de descartáveis plásticos, algo que eu luto diariamente contra.

Mas a triste realidade indica que o aumento de produtos nada biodegradáveis atingiu picos nunca antes vistos!

Se puder, tente evitar ou diminua o uso de descartáveis no seu dia a dia!

Vamos pensar na Natureza também, please!

E você? Acha que estas soluções são suficientes para evitar o contágio? Sabe de outras soluções que estão sendo desenvolvidas e não foram citadas aqui? Compartilhe conosco nos comentários abaixo!

Deixe seu comentário / 2 Comentários

  1. Responder
    Carlos borsa

    Ótimo texto adorei

  2. Responder
    Carlos borsa

    Texto perfeito

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