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DIÁRIO DE BORDO: Conhecendo Kyoto, Miyajima e Tokyo, no Japão
Postado por Estela T em março 3, 2016 Editado em dezembro 28, 2016

 

Bianca e seu namorido

Bianca e seu namorido

O Itinerário de Viagem entrevistou a Bianca, que conheceu Kyoto, Miyajima e Tokyo, no Japão de 15 de Março de 2015 a 03 de Abril de 2015, ou seja, no final do inverno e início da primavera.

A viagem contou com a presença da mãe e do namorado de Bianca e os três tinham uma dinâmica muito intensa. Para conhecer bem as cidades dos roteiros, o grupo estipulou a meta de dormir 8 horas por dia para aguentar as caminhadas de dia inteiro, além do mais, a mãe da Bianca tem mais de 60 anos e dormir bem foi um requisito fundamental, assim como comer bem e adequadamente.

A viagem de 17 dias no Japão passou por (em ordem cronológica): TōkyōHakoneHiroshimaMiyajimaKyotoNara Osaka. Bianca nos contou que se impressionou com todas as cidades, cada qual à sua maneira. Mas na árdua tarefa de listar uma ordem de preferência, ela confessou que gostou mais de KyotoMiyajima e Tokyo.

“Meu nome é Bianca, tenho 30 anos e sou servidora pública estadual. Eu gosto de tudo um pouco: viagens de aventura, para descanso, para encontrar a natureza, para consumo ou para passeio; amo cidades e a natureza, a agitação e o silêncio, a cultura pop e a clássica, os parques e os prédios, as compras e os museus, bater perna e ficar sem fazer nada. Gosto muito de observar as pessoas e seus gestos, mas dificilmente eu tenho tempo na viagem para ouvir suas histórias. O importante é vivenciar novas experiências, me surpreender com os choques culturais, aguçar os meus cinco sentidos, enriquecer o meu conhecimento de mundo. Por outro lado, também não me considero uma viajante destemida e totalmente desprendida. Eu acredito que o planejamento (moderado e flexível) e o conforto (a não ser que a ideia seja vivenciar o desconforto, o que também foi para mim uma mágica experiência) sejam pontos importantes para que as energias durante a viagem sejam direcionadas para o ponto certo. Eu gosto de ler sobre a cultura do local para onde vou viajar e estudar um pouco sobre a sua história, para tentar não chegar ao lugar com o olhar viciado de quem cresceu em meio à cultura paulistana classe média. Mas se eu tivesse que escolher o meu estilo de viagem preferido, eu diria que é aquele que me ensina sobre a História do mundo e do ser humano. Consequência disso é que eu adoro museus, memoriais e centros históricos e culturais.”

 

Kyoto

Kyoto encantou Bianca porque a cidade proporcionou uma viagem ao tempo nas tradições do Japão, especialmente no tocante às vestimentas, à arquitetura e à quantidade de templos antigos.

Cerejeira em Kyoto

Cerejeira em Kyoto

Bianca sentiu que a cidade possui uma convivência harmônica da tradição com a modernidade, ou seja, a cidade não parou no tempo, mas manteve a sua história e cultura preservadas de maneira concreta, e não apenas em livros, fotografias e museus.

O início da primavera marca também o início da temporada de uma apresentação muito famosa das gueixas de Kyoto (Miyako Odori). É um festival de cores lindíssimo e encantador, que é fortemente recomendado. Segundo Bianca, este festival não é um “programa de turista”, pois a maioria do público é dos próprios japoneses vindos de diversas localidades do Japão.

Palácio Imperial de Kyoto

Palácio Imperial de Kyoto

 

Em Kyoto, o grupo de Bianca também visitou o Kyoto Municipal Museum of Art (Museu Municipal de Kyoto), que fica num bairro super bonito e eles deram a sorte de ver uma exposição contemporânea incrível, chamada Parasophia, com participação inclusive de artistas brasileiros!

Fica a dica:

  • A maioria dos pontos turísticos em Kyoto são os templos, então haverá muitos, mas muitos para conhecer.
  • Na cidade anda-se muito de ônibus, mas muitas linhas param de funcionar relativamente cedo (em torno das 21h ou 22h).
  • A hospedagem do grupo foi em um ryokan (pousada em estilo tradicional japonês) perto da estação principal e isso fez toda a diferença, pois todas as linhas de ônibus passam por essa estação.

 

 

 

Miyajima

Miyajima

Miyajima

Miyajima (ou Itsukushima) é uma ilha ao lado da cidade Hiroshima e foi um santuário xintoísta. Ela é considerada como uma das três mais belas paisagens do Japão, além de listar como patrimônio mundial pela UNESCO.

Ao chegar nessa ilha é possível avistar um portal no meio do mar. Nesse mesmo local, ao entardecer, as pessoas se reúnem para acompanhar o fenômeno lindo da baixa da maré, quando o entorno do portal fica seco e é possível caminhar em volta dele. Aliás, o pôr-do-sol é um espetáculo à parte, então fique por lá até o entardecer!

 

Pagoda de Miyajima

Pagoda de Miyajima

A cidade também abriga templos muito bonitos e restaurantes tradicionais muito bons. Há cervos passeando livremente pelo local e é possível alimentá-los; mas tome cuidado: eles comem mapas (e há placas avisando isso!)

Há um passeio de teleférico que te leva no topo do Monte Misen, mas se você tiver tempo e disposição, é possível fazer esse mesmo percurso a pé. A última parada do teleférico fica no início de uma trilha de pedras que leva até o fogo eterno, no topo da montanha que é considerada sagrada. Dizem que a chama foi acesa por volta do ano de 800 d.C. e que ela foi utilizada para acender a chama eterna do Memorial da Paz de Hiroshima. É uma trilha bem pesada para quem não tem preparo físico adequado.

 

Fica a dica:

  • Para chegar à ilha é necessário que você pegue uma balsa de Hiroshima até lá e o percurso durar cerca de 20 minutos.
  • Bianca nos contou que se pudesse mudar algo do roteiro, teria ficado um dia e meio lá, ao invés de meio dia.

 

 

 

Tokyo

A inconfundível Tokyo

A inconfundível Tokyo

Tokyo é uma cidade incrível, moderna, limpa e bonita. São tantas atrações e lugares para conhecer que vale ficar muitos dias por lá. A grande maioria dos passeios foram realizados de trem.

Bianca no Parque Gyoen

Bianca no Parque Gyoen

Os parques são realmente muito bonitos, como o Shinjuku Gyoen, que além de lindo é tão tranquilo que é capaz de você se esquecer que você está no meio de uma cidade agitada como Tokyo.

A cidade oferece uma boa gama de museus fantásticos. O Tokyo National Museum é deslumbrante e para percorrer todas as suas alas, gasta-se mais de um dia.

Na vida noturna de Tokyo, o casal descobriu perambulando pelo bairro Shinjuku (conhecido pela vida noturna) um gueto muito interessante chamado Golden Gai. Ali fica um aglomerado de pequenos (ou minúsculos) bares de diversos temas. São várias casinhas pequenas, umas ao lado das outras, onde cada casinha comporta em média dez pessoas, uns um pouco mais, outros um pouco menos. É um conceito completamente diferente de bar e socialização noturna, pois não há espaço para circulação e você fica numa relação muito próxima ao dono do bar ou a quem estiver compartilhando desse pequeno espaço. Além disso, cada uma das casinhas tem a sua característica; tem a casinha do metal, a do death metal, a dos filmes, a do karaoke, e por aí vai.

monte-fuji-visto-de-hakoneNo final da entrevista Bianca termina com a seguinte frase: “O Japão é um encanto, uma experiência de abrir a mente, polir a própria conduta e aprender sobre civilidade.”

 

Fica a dica:

  • Próximo de Tokyo, situa-se o famoso Monte Fuji. Ele pode ser observado de diversos locais, mas o mais conhecido chama-se Hakone. Lá existem ryokans (pousadas em estilo japonês) para se hospedar e, vale a pena ficar um dia e meio, não apenas em razão do Monte Fuji, cuja visão é de fato imponente e deslumbrante, mas principalmente pelo museu a céu aberto da região (Hakone Open-Air Museum). Ele é fantástico, um local lindíssimo e muito espaçoso, com muitos lugares para caminhar e observar as obras de arte em meio à linda paisagem verde, com espaços super criativos para a interação das crianças, espaços para lanches e descanso ao ar livre. Se você for, não deixe de entrar em um grande galpão de dois andares dedicado inteiramente ao Picasso. Muitas das obras desse museu não são de artistas japoneses, mas a arte é algo que transcende a nacionalidade e é bela em qualquer lugar que seja apreciada.
  • Para apreciar o Monte Fuji, é preciso tomar três teleféricos em Hakone. Em cada estação de parada, há algum restaurante ou lojinha funcionando. A terceira parada é a final e é a que dá a vista para o Monte Fuji. O ovo preto é super famoso e é servido nos restaurantes de lá! A coloração dele tem a ver com o enxofre das montanhas (tem um gosto bem forte). Antes de ir visitar o Monte Fuji, é importante verificar a previsão do tempo, pois só é possível visualizá-lo se o tempo estiver totalmente aberto. A previsão do tempo japonês é certeira.

 


Curiosidades:

  • Os japoneses, em sua imensa maioria, não falam inglês, nem mesmo os mais jovens (incluindo nas metrópoles).
  • Os prestadores de serviços comuns conhecem palavras-chave e tem um sotaque bem característico para falá-las (right = “raito“; left = “refito“; straight = “istreito“).
  • Nos hotéis e balcões de informações, é possível encontrar pessoas que falem inglês, mas também não vai ser fluente. Pode ser até que você não encontre recepcionistas em hotéis que falem inglês.
  • A boa notícia é que há inúmeros mapas fáceis e didáticos, placas e informações por todos os lados, e tudo escrito em inglês.
  • De toda forma, é possível contar com a cordialidade do japonês. Eles não entendem e não falam a língua, mas se eles conseguirem entender o que você precisa ou onde você deseja chegar, eles farão de tudo para te explicar, seja por mímica, apontando no mapa ou indo junto com você.
  • Os cardápios costumam ter fotos da comida ao lado dos nomes e vários restaurantes têm vitrines com réplicas dos pratos; tudo isso para facilitar a vida de quem vai pedir a comida e de quem vai anotar o pedido.
  • O grupo almoçou no Tsukiji em Tokyo, e é o maior mercado de peixes do mundo. No mercado, há vários pequenos restaurantes especializados em peixe e frutos do mar frescos.
  • Ainda em Tokyo, o grupo experimentou um prato chamado shabu-shabu, servido com carne de porco que você mesmo cozinha com outros legumes.
  • Em Hiroshima encontraram muitos restaurantes especializados em Okonomiyaki, que é uma espécie de panqueca recheada de diversos ingredientes.
  • Em Osaka existe o Kobe Beef que é bem famoso por ser uma deliciosa carne bovina e também por ser muito cara.
  • O modo mais barato de comer no Japão é comprar obentô (marmitinha pronta) em lojas de conveniência, porém, esses obentôs não possuem comida quente.
  • Os pratos mais populares, em termos de oferta e de preço, não são os peixes (que é uma carne nobre para o japonês), mas o porco e o ovo.
  • Uma coisa que Bianca reparou é que é difícil encontrar restaurantes ou lanchonetes de redes internacionais, mesmo em Tokyo.
  • Para quem não sabe, ao contrário do que muitos pensam, o principal da culinária japonesa encontra-se em pratos quentes, e não em peixes crus. Isso significa que mesmo a pessoa que não gosta muito de comida japonesa tem grandes chances de se surpreender positivamente com a comida que vai experimentar lá.
  • Uma curiosidade é que Bianca encontrou várias opções de spaghetti e somente o spaghetti.
  • Por incrível que pareça, o grupo teve muita dificuldade em achar lugares disponibilidade de wifi. Desta forma, Bianca nos contou que percebeu que o wifi não é uma necessidade do japonês, pois o serviço pelo qual eles pagam já supre (e muito bem) a demanda exigida.
  • Outra coisa que a surpreendeu foi a falta de lixeiras nas vias públicas e mesmo assim a limpeza das ruas é impecável, mesmo nos centros mais movimentados. Esta é a lição que aprendeu: você é responsável pelo seu lixo.
  • A viagem ocorreu na primavera japonesa e é uma estação em que é super comum as pessoas se reunirem para piqueniques. Bianca se surpreendeu ao observar que os parques e praças ficavam exatamente iguais como antes de serem usados: limpos e intactos.
  • O japonês é muito silencioso até mesmo dentro dos trens.
  • É comum ver vários japoneses usando máscaras de proteção no rosto. Como Bianca não sabia exatamente o motivo da utilização da tal máscara, uma japonesa explicou que o motivo do uso é que as pessoas que usam a máscara provavelmente estão resfriadas (ou ago do tipo) e compram a máscara para evitar que as outras pessoas tenham contato com a sua condição. Ou seja, é um propósito altruísta.

 

Gasto médio de uma viagem ao Japão:

  • O gasto médio por pessoa/dia pode variar dependendo do perfil de consumo de cada um. Mas é possível contabilizar 10 mil ienes (cerca de R$350,00). Este valor podemos considerar que paga um café da manhã (dificilmente incluso nas estadas), almoço e  jantar (em restaurantes bons, mas não excepcionais) e alguns ingressos em atrações.
  • Vale lembrar que o grupo de Bianca partiu ao Japão com muitas coisas já pagas como: estadas, ingressos para o beisebol e sumô, reserva de alguns restaurantes mais “chics” e, principalmente, o passe Japan Rail Pass.

 

O Japan Rail Pass:

  • O Japan Rail Pass é um passe de transporte público incluindo 1 viagem de shinkansen (trem-bala), trens, ônibus e até balsas. Ao comprar você deve escolher a duração do passe que são: 7, 14 ou 20 e 1 dias e cada qual com seu preço equivalente.
  • O Japan Rail Pass só vale a pena para quem vai viajar para mais de uma cidade no Japão (para ficar só em Tokyo, há outros tipos de passe).
  • Só é possível comprá-lo enquanto você estiver no seu país de origem (online), pois esse passe é destinado exclusivamente aos turistas.
  • Para a compra, você precisa da cópia do passaporte e o visto japonês (para aqueles que precisam do visto).
  • O valor que é pago no passe é alto, mas já compensa com uma única viagem de shinkansen (trem-bala).

 

 Todas as fotos são de autoria da entrevistada e cedidas para uso exclusivo do Itinerário de Viagem. Direitos reservados, por favor, respeite!

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