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DIÁRIO DE BORDO: Conhecendo a Nova Zelândia com Ricardo
Postado por Estela T em Março 24, 2016 Editado em dezembro 14, 2016

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Ricardo é estudante universitário brasileiro e atualmente está morando na cidade de Auckland, Nova Zelândia, pelo programa “Ciências sem Fronteiras” que durará 1 ano. Ricardo tomou conhecimento do programa através de uma palestra da Universidade em que ele é matriculado em São Paulo e, naquele dia, a organização responsável apresentou o “Latino New Zealand”, ou seja, Ciências Sem Fronteiras na Nova Zelândia.

Quem é Ricado

Nasci numa cidade chamada Arraial d`Ajuda, no extremo sul da Bahia, conclui o ensino médio técnico no Instituto Federal da Bahia na área de Informática. Apos isso, me mudei para a cidade de Sao Paulo para cursar Arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário Belas Artes. Trabalhei durante 1 ano como monitor no laboratório de maquetes e mais 6 meses como monitor no laboratório de fabricação digital, o FabLab. Iria começar o 6 semestre, mas tranquei o curso para fazer o Ciências Sem Fronteiras. Estudei inglês por 4 meses em Auckland, e agora vou começar o curso na Universidade de Auckland por 1 ano. Meus projetos para o futuro ainda estão incertos… Mas uma coisa que tenho certeza é que vou continuar a fotografar ao voltar para o Brasil. Tenho estudado um pouco o tema, então fiquem ligados no meu Instagram! As fotos postadas aqui são apenas algumas de várias que já fotografei!

Siga Ricardo no Instagram: @csf.ricardo

Em Hooker Valley

Em Hooker Valley

Ricardo sentiu que estudar na University of Auckland no programa “Ciências Sem Fronteiras” era muito importante para sua vida profissional e a Nova Zelândia pareceu ser um destino ideal, pois o equilíbrio entre cidade e natureza é muito grande, e ele queria ver como era viver neste ambiente, além do mais, Ricardo é estudante de Arquitetura e Urbanismo, sendo assim, a experiência seria mais do que interessante e além de aprender como projetar, a questão da sustentabilidade poderia ser mais focada. Vale lembrar que a University of Auckland figura na 28a posição mundial para os cursos de Artes e Humanidades.

Mas antes das aulas na University of Auckland começarem, Ricardo reforçou o inglês durante 4 meses e com isso atingiu os pontos necessários no TOEFL IBT (para comprovar nível de inglês). A escola de inglês é parceira da universidade, chamada ELA (The University of Auckland English Language Academy). Desta forma, foi selecionado pelo programa após comprovações que o programa exige (como ENEM, TOEFL IBT, histórico escolar da Universidade e um portfólio com desenhos, fotografias e projetos arquitetônicos). Ricardo contou ao Itinerário de Viagem que os 4 meses de preparação na língua foram fundamentais para ganhar confiança, desenvolvendo em muito suas habilidades.

Impressões sobre a Nova Zelândia

Ricardo tem a sensação de que na Nova Zelândia as pessoas são mais felizes. Ele complementa: “Em todos os lugares que você vai, a pessoa te atende com um sorriso no rosto e pergunta como foi o seu dia. Além de a jornada de trabalho ser menor (que a dos Brasileiros), fechando quase tudo às 16h! (), então, como tudo fecha mais cedo, você tem que se programar para imprimir seus trabalhos, ou comprar materiais em papelarias antes que feche“.

Como Auckland é uma cidade praticamente internacional, Ricardo nos contou que encontra muitos Asiáticos e Indianos, sendo assim, a demanda por restaurantes Chineses, Japoneses, Coreanos e Indianos, é farta. É muito raro encontrar Kiwis (como as pessoas nativas de lá são chamadas). Com tantas pessoas diferentes da cultura brasileira, Ricardo teve que se acostumar com a distância” em cumprimentar, por exemplo. Ele aprendeu a não cumprimentar as pessoas com beijos e abraços, como qualquer Brasileiro faz.

Noite em um camping

Noite em um camping

Explorando a Nova Zelândia

A Nova Zelândia é um prato cheio para quem gosta de fazer road trips, porque há muita estrutura para isso e as estradas são de tirar o fôlego. A dica de Ricardo é baixar o aplicativo “Camper Mate” que te mostra várias coisas para fazer na road trip, além de indicar camping grounds gratuitos ou pagos ao redor do país. Como dito, o país possui boa estrutura para a road trip, então, todas as trilhas tem placas informando o nome, o tempo que demora para percorrer ou a distancia total. Há placas avisando sobre possíveis perigos que você pode encontrar no decorrer da trilha ou sobre alguma alternativa de rota devido a chuva ou algo do tipo.

Durante o trajeto você pode fazer paradas para explorar cavernas com sua própria lanterna e sem guia! (mas leve em consideração que ao adentrar em uma caverna, a responsabilidade é inteira sua. Então, em casos de acidente, você foi o responsável por se arriscar).

Para explorar a Nova Zelândia, Ricardo destaca três maneiras para viajar neste país:
1) alugar um carro e dormir em hostel/hotel
2) alugar um carro e acampar
3) alugar um carro / campervan / motorhome e dormir no próprio veículo. Campervan é uma van equipada com uma cozinha bem simples, e um “banheiro” (na verdade é praticamente um penico) e a motorhome é uma campervan maior e mais equipada.

Os itens dois e três são exemplos mais baratos para explorar a Nova Zelândia, gastando em média uns $5 dolares neozelandeses por pessoa em cada camping governamental, ou em media uns $15~$20 em campings mais equipados (chamados “holiday park”, equipados com chuveiro quente e outras comodidades, como cozinha e maquinas de lavar roupa), ou ate mesmo de graca em campings free. A vantagem de se alugar uma campervan ou uma motorhome em relação a acampar ou dormir no carro, é que existem lugares “free” que são liberados apenas para eles, pois estes são autosustentáveis (não liberam lixo / dejetos humanos e possuem água para cozinhar).

As opções que Ricardo utilizou foram o aluguel de campervan e o aluguel de carro normal acampando nos locais próprios e esta última foi a opção mais confortável porque, apesar de ter encontrado problemas como chuva, ventos fortes, solos irregulares e ter que arrumar e desarrumar todo dia seus pertences, pelo menos nesta opção o ambiente mudava um pouco. Ricardo disse: “depois de horas dentro do carro, é gostoso ter um espaço maior dentro de uma barraca”.

Dica: a maioria dos campings não tem iluminação pública, então lembre-se de levar sua lanterna e pilhas extras!

Passeios Imperdíveis

Para Ricardo, a Nova Zelândia é apaixonante e ele passa a dica de reservar no mínimo 2 semanas para a ilha sul, e 2 semanas para a ilha norte, sendo parada obrigatória lugares como: Holiday Park em Mataury Bay, Treaty Grounds na cidade de Waitangi (lugar de importância histórica na Nova Zelândia), o ponto mais norte da ilha norte (Cape Reinga), o ponto mais norte da ilha sul (Cape Farewell), o ponto mais sul da ilha sul (slope point), Cathedral Cove (lugar onde filmaram uma cena de “As Crônicas de Narnia”), Hobbiton (a cidade dos “hobbits”, do filme “O Senhor dos Anéis”), Skyline e o Luge (carrinho de roleman) na cidade de Rotorua, Tunnel Beach Walking Track (uma praia na ilha sul, onde a entrada da praia é feita por um túnel de pedra), fazer o swing ou o bungee jump no The Nevis (o maior bungee do país e o maior swing do mundo e o Ricardo fez!), Monte Ruapehu para esquiar.

Numa lista de preferência, Ricardo listou 4, mas não foi fácil escolher.

 

1 – Tongarino Alpine Crossing (19,4km)

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Começo da descida da trilha

 

Ricardo no lago da trilha do Tongario

Ricardo no lago da trilha do Tongario

Tongariro é uma montanha onde foram filmadas as cenas de “Mordor” (do filme “O Senhor dos Aneis”). A track consiste em subir uma parte da montanha, chegar a até três lagos e depois descer. Ela comeca bem plana, com algumas escadarias. Depois você anda por meio de pedras, em um trecho mais inclinado. Chega ate os lagos, e comeca o processo de descida. A vista é impressionante durante todo o trajeto, porém a melhor parte fica depois dos lagos, quando você começa a descer e avista um lago enorme, as montanhas e vegetação.

A trilha não é fácil, porém nada impossível. Super bem sinalizada e a todo instante há outras pessoas fazendo a trilha (inclusive pessoas mais velhas e crianças). A duração depende do passo de cada um. Ricardo e seu grupo levou entre 05h30 a 06h, mas há pessoas que podem levar de 07h a 10h considerando tempo de descanso, paradas técnicas e alimentação.

Trecho da caminhada

Trecho da caminhada

Vale lembrar que é uma trilha só de ida, então será necessário pegar um transfer para voltar, ou ir em dois grupos, cada um com um carro: o grupo se divide em dois, sendo que um começa pelo final e o outro pelo começo, e ao se encontrarem no meio, trocam as chaves. Mas você também pode pegar dois carros com o seu grupo de amigos, e escolher um dos dois lados da ilha pra estacionar um dos carros. Depois, entra todo mundo no outro carro que sobrou, vai até o lado oposto, estaciona o segundo carro e faz a trilha.

Ao acabar a trilha, entra todo mundo primeiro carro que estava estacionado do outro lado e volta para o começo da trilha para buscar o segundo carro. Ricardo e seu grupo de amigos fez exatamente isso, pois o transfer era muito caro. O trajeto de carro de uma ponta a outra demorou cerca de 30 minutos.

 

 

 

2 – Lake Tekapo + camping

Detalhe da transparência do Lake Tepako

Detalhe da transparência do Lake Tepako

 

Ricardo e seus amigos no lago Tekapo

Ricardo e seus amigos no lago Tekapo

O Lake Tekapo é um lago extremamente azul claro, com uma transparência sem igual! Está localizado no meio da Ilha Sul, na cidade Tekapo. São aproximadamente 3 horas de carro da cidade Christchurch.

Quando você chega perto do lago, fique sabendo que estando na estrada não é possível ver a sua total beleza, você tem que chegar perto dele. Algumas pessoas passeiam no lago de barco, e outros de jetsky. Conhecendo um pouco mais a cidade de Tekapo, há uma igreja de importância histórica chamada Church of the Good Shepherd, e vale a pena dar uma visitada nela. Para quem quer ficar um tempo maior no lago, há um camping governamental ($6nzd/pessoa) para servir como base para você acampar. Este camping é um pouco afastado da cidade, e de frente para um outro lago. Quando Ricardo esteve lá, avistou um por-do-sol espetacular, com o lago cheio de patos e montanhas alaranjadas ao fundo. 

 

 

3 – Mountain Cook (Hooker Valley)

Detalhe do track para a Mount Cook

Detalhe do track para a Mount Cook

 

Ricardo em uma parada na estrada

Ricardo em uma parada na estrada

A Mount Cook é a maior montanha da Nova Zelândia, com neve em seu topo o ano todo. Ele fica localizado na Ilha Sul, e foi o destino de Ricardo e seus amigos após a visita à Tekapo. Durante o caminho até a Hooker Valley Track, o grupo ficou maravilhado com a paisagem do lago Pukaki com o Mount Cook ao fundo, então resolveram desviar a rota programada, e pararam para admirar aquilo por alguns minutos. Ricardo nos conta que o momento foi incrível e que não parecia real, complementando que se há um lugar que ele quer lembrar sempre para sempre é exatamente este.

A trilha do Hooker Valley Track tem duração média de 4 horas contando o retorno. O nível de dificuldade é sossegado até para iniciantes, com terreno quase 100% plano. No caminho você encontra várias montanhas, passando por pontes sobre rios, sempre com o Mount Cook a sua frente. O percurso todo é muito bonito e ao chegar no final, você encontra um lago formado pelo gelo derretido das montanhas, e que é, lógico, incrivelmente gelado!

 

Detalhe do caminho para a Mount Cook

Detalhe do caminho para a Mount Cook

 

4 – Travessia de Ferry da cidade de Picton para Wellington

Passeio de ferry

Passeio de ferry

Ricardo nos disse que muitas pessoas talvez irão discordar dele ao incluir esta travessia como um passeio incrível na Nova Zelândia, até porque alguns de seus amigos que fizeram a mesma travessia, dormiram o trajeto inteiro. Mas para Ricardo foi um passeio especial, já que nunca tinha viajado em um navio antes. O que impressionou Ricardo foi que o navio era enorme, com diversos ambientes, cinema e restaurante. Em uma sala haviam sofás, televisores e a saída para a proa.A travessia durou aproximadamente 03h30mins e passou entre várias montanhas ao sair da cidade de Picton. Mas o motivo mais do que especial da travessia é que Ricardo pôde avistar o que não viu no fiorde de Milford Sound que é brutalmente lindo! A dica aqui é que na travessia de Picton, você pegue o ferry das 18h45 para poder ver o por do sol. Ricardo fez a travessia em Fevereiro de 2016, ou seja, no verão.

 

Milford Sound é um lugar super famoso na Nova Zelândia. O passeio de barco passa no meio de várias montanhas, e nessas montanhas há muitas cachoeiras para serem avistadas. Infelizmente no dia que Ricardo fez o passeio, estava chovendo, então não deu para aproveitar muito. Ele nos contou que conversou com a atendente de uma das empresas de barco e ela disse que chove praticamente 180 dias por ano… Então veja muito bem a previsão do tempo antes de fazer a travessia, pois a chuva pode estragar o passeio.

 

Desenvolvimento

A viagem que Ricardo está fazendo proporcionou a este jovem a desenvolver a “noção de mundo” conforme ele mesmo nos contou, complementando que antes, “tudo parecia distante, diferente, esquisito… Mas no final, a essência de todos é a mesma! Cada povo tem seus costumes, mas depois de você ter amigos Japoneses, Chineses, Argentinos, Sul Africanos, Italianos, Ingleses, Neozelandeses, etc, você repara que ninguém é tão diferente de você. Sabendo inglês, tudo é possível, então o que antes me parecia impossível, agora já não é mais.
Ricardo também desenvolveu muito a sua autoconfiança, aprendendo a se virar com burocracias na Universidade, banco, médico, viagens e acampamentos, e tudo isso na sua língua não nativa, fazendo-o sentir ainda mais capaz de realizar tudo. Ele agora entende que o mundo deixou de ser tão grande e já está planejando uma próxima viagem!

 

Todas as fotos são de autoria do entrevistado e cedidas para uso exclusivo do Itinerário de Viagem. Direitos reservados, por favor, respeite!

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