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CRÔNICA DE VIAGEM #03 : O Início
Postado por Gisela S em dezembro 1, 2016 Editado por Estela T julho 26, 2017 at 9:24 am

cronicas-09“Agora, depois de muitas viagens me dei conta que realmente gosto de falar sobre minhas viagens e de ouvir sobre a viagem dos outros.

É um prazer buscar memórias e contá-las. É uma sensação de oportunidade! Como se você tivesse a oportunidade de estar naquele local outra vez e de revivê-lo como uma nova experiência e as vezes com novas percepções.

Em ordem de escrever minha primeira crônica de viagem, estava buscando os motivos que eu tive para começar essa jornada.

Tentei lembrar de algumas conversas com a minha mãe sobre o assunto. Queria achar alguma que talvez trouxesse meus primeiros motivos, meus primeiros planos.

Recordo que dizia que queria ir para Europa e aprender outra língua, queria poder entender, queria conhecer um mundo repleto de pessoas que viviam em uma realidade diferente da minha e queria poder comunicar-me com essas pessoas de alguma forma.

Na verdade, acho que eu sentia era mesmo pura curiosidade, a mais pura vontade de conhecer algo novo e fui criando “desculpas” para agregar valor a essa curiosidade, algo que me facilitasse convencer minha mãe (e também a mim) que eu deveria me organizar e ir viajar.

Parece estranho que alguém tenha que se convencer de algo assim, né? Mas eu queria ir para Europa e ninguém da minha família havia feito algo similar, talvez por falta de condições financeiras, talvez por falta de interesse mesmo.

Pouco a pouco fui me convencendo de que deveria ir e a mais forte razão que encontrei para esse esforço, além do prazer que eu imaginava que seria a viagem em si, foi aprender inglês.

Para muita gente com a qual convivo, não ter estudado inglês e não saber falá-lo aos 24 anos era algo muito estranho. Como eu não tinha estudado inglês antes? Como não podia falar inglês ainda?

Eu tinha estudado francês quando adolescente e depois novamente francês durante a faculdade. Tinha feito curso formal de francês mas, de inglês não!! Pronto. Esse era motivo suficiente: tinha que aprender falar inglês rapidamente e só alcançaria esse feito indo pra Inglaterra.

Havia me convencido.

Minha mãe ainda não estava convencida de que isso era mesmo uma boa ideia. “Como vai juntar esse dinheiro? Por que não faz um curso de inglês aqui? Vai viajar sozinha sem falar o idioma? Que perigo!”

Apesar de tudo, eu já tinha me convencido e, pra quem não sabe, se decido que vou fazer algo, vou fazer algo.

Comecei a trabalhar e fazer as contas de quanto gastaria com a viagem, fui a diversas agências procurar escolas de inglês e moradia.

Resolvi que não podia postergar mais a viagem. Resolvi tirar 30 dias de férias e 10 dias que eu tinha em banco de horas e ir.

Quando comprei a passagem e reservei tudo para passar meus 30 dias de curso de inglês em Londres, minha mãe ainda não acreditava que eu ia.

Lembro até hoje que estava super feliz e contava sobre essa façanha que eu ia fazer para minha sogra, lembro de ter falado que minha mãe não acreditava ainda. Ela me disse: “Por que sua mãe não vai também? Ela nunca foi pra Europa.”

Essa pergunta me pegou desprevenida. Acreditam que eu nunca tinha pensado nisso?! Minha mãe nunca tinha falado sobre uma grande vontade de viajar, sempre dizia que tinha medo e tudo mais… mas, claro, ela tinha que ir!

Cheguei em casa e perguntei pra ela sobre sua vontade de viajar. Ela falou sobre isso como se fosse um sonho impossível, inalcançável. Naquele momento, falei que ela devia passar 1 semana comigo por lá pois eu passaria os últimos 10 dias em Paris passeando sozinha, em hotel e não seria muito mais caro se ela fosse também. Eu podia ajudar!

Juntei minhas últimas migalhas e comprei para ela uma passagem pra Paris (parcelada, claro).
Iríamos nos encontrar no aeroporto.

Vocês não tem ideia do quanto ela reclamou de pegar o avião sozinha e chegar lá sozinha. Ela tinha medo de não entender nenhuma das perguntas que fariam ao chegar. Era tão engraçado, eramos tão ao contrário. Eu achando divertido justamente essa experiência do não saber e ela achando isso o caos.

Sem dúvidas, anotei tudo em inglês em um pedaço de papel e deixei com ela antes de eu viajar e disse: “Mãe, se você não conseguir responder o que eles te perguntarem, entregue esse papel que acho que vai te ajudar.”

Desde então, sigo viajando sempre que posso e ela, sempre que pode, vai comigo.

Se eu aprendi inglês em 30 dias? Não. Mas perdi totalmente a vergonha de falar e hoje, arrisco um pouco de qualquer língua com a certeza de que os nativos na língua vão entender meu esforço.”

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