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Crônica #10: Um pouco sobre música
Postado por Estela T em Janeiro 24, 2018

Certo dia fiquei pensando que como o blog sempre teve uma pegada mais pessoal, então por que não contar um pouco mais sobre mim e sobre minhas ideias?

Então, começando um pouco daquilo que posso complementar o Quem Somos. Pois bem, deixando um pouco de lado as viagens, vamos falar sobre MÚSICA. Oh yeahhhhh

Música sempre esteve presente na minha vida, na adolescência toquei flauta transversal, tentei tocar violão e até quis cantar, mas não tenho este dom e talento. Na minha infância nunca gostei de músicas infantis e tão pouco de programas infantis (daquelas com apresentadoras de TV). Assistia, lógico, esperando a hora do Pica Pau (aquele malvado, que fumava, bebia e sacaneava todo mundo).

Criança, um dia eu estava com uma maria chiquinha no topo da cabeça e meu primo insinuou que eu estava parecida com aquela apresentadora de programa infantil e me mostrou a capa do disco onde ela também estava com a tal maria chiquinha. O coitado achou que eu ia ficar deslumbrada, emocionada e que iria amá-lo para sempre devido àquela comparação. Mas… como nunca fui muito padrão, saiba que, aos 7 anos e mesmo com a TV como único meio de entretenimento da época, eu não fiquei NEM UM POUCO lisonjeada. Fiquei enojada, mas dei um sorriso amarelo e segui com a vida. Lógico, eu não via similaridade alguma com ela e com o universo dela. Se um dia eu cantei uma música dela, fui coagida em alguma apresentação escolar!

Aos 10 anos de idade eu admito que cai na armadilha das boy bands… Na minha época, o que nos empurravam de modelo de homem “sexy” era “made in Central America” e foi assim que fui forçada a gostar de Menudos. Mas gente…. eles eram fofinhos mesmo, na época. Eu não gostava de ir aos kaikans japoneses da Liberdade e assistir às apresentações da colônia japonesa… me dava sono… mas minha mãe me obrigava a ir. Hoje vejo muita beleza na minha cultura ancestral, mas não compro um CD para escutar música japonesa rs.

Felizmente na adolescência as coisas e principalmente as opões e informações começaram a vir com mais frequência e de mais longe. E foi aí que conheci o Rock n’ Roll, mas já pulando pro Hard Rock e depois para o Heavy Metal. Em um intervalo de apenas 1 ano (dos 10 aos 11 anos) tudo mudou radicalmente como mágica! Menudos? Blah…. coisa de criança… agora a coisa é Guns n’ Roses. Poxa… e como gostava…

Com 11 anos de idade (na minha época) não era muito normal fazer aulas de inglês em uma escola de inglês. Então para entender o que Axl Rose estava cantando, eu ficava a tarde toda traduzindo as letras das músicas (porque não existia nenhum sinal de que um dia haveria internet, Google e letras traduzidas de músicas na world wide web). Com o dicionário BARSA da minha mãe, ficava dias intermináveis e seguidos traduzindo todas as canções. Se hoje o BARSA está com a capa caindo e as páginas todas carcomidas é porque passei dos 11 aos 19 anos debulhada neste livro!

Aprendi vários palavrões em inglês, aprendi várias gírias, aprendi expressões e regionalismos, aprendi muita coisa mas cada vez que eu crescia, mais precisava de desafios maiores, coisas melhores e mais complexas. Veio o classic rock e a era grunge. Ficava escutando as músicas de Pearl Jam (não havia letra das músicas nos encartes dos CDs deles) tentando entendê-las no ouvido (vocês já perceberam que a dicção do Eddie Vedder é difícil? Gente… calma lá… eu tinha só 12 ou 13 anos, ok?), me apaixonei por Soundgarden (a banda mais heavy metal da era grunge) e percebi que minha pegada era Heavy Metal. Aí já viu né… muita gritaria e sonzeira boa pra cac3t3 e além disso, comecei a apreciar o rock progressivo.

A cada etapa que avançava, tudo ficava mais complexo para entender o inglês e cada vez mais o vocabulário crescia. Só que eu não esperava me apaixonar por um som que as pessoas até hoje não conseguem acreditar que eu escuto: Doom Metal.

Sim minha gente…. se for falar que tipo de música eu gosto, eu falo “rock” porque eu gosto mesmo. Mas dentro do rock sou apaixonada, doida e morro de amores pelo doom metal. É som de macho, porra!!!!! Mas hoje já existem bandas mais femininas e pesadas que deixou a coisa mais abrangente, digamos assim. Quem me vê toda feminina, sem esmaltes pretos, sem coturno e nem um pouco estilo gótica (não que estilo gótico seja o estilo adotado pelo doom metal, longe disso… mas é o estereótipo limitado que as pessoas imaginam) jamais me veriam ouvindo músicas pesadas com vocais grutuais rsrsrs. Acreditem… há mulheres refinadas como eu que amam este som.

Aquelas composições complexas, poéticas, me permitiram incrementar o meu vocabulário em inglês e até em português (porque é cada palavra que eu nem havia ouvido falar em português) e aquele som profundo e denso me atingiram na alma!

A banda que me apresentou ao Doom foi a inglesa  Paradise Lost. Não conhecia, mas no finado festival de heavy metal, Monsters of Rock, a banda estava lá tocando e eu absorvendo e pensando… “caramba… mas que som!”

Voltando pra casa comecei a pesquisar (não na internet, lógico… ela não existia). Na época havia uma revista chamada Rock Brigade e por coincidência havia uma resenha sobre o último trabalho desta banda. A resenha foi feita pelo jornalista FSF e que acabei seguindo os seus conselhos porque ele escrevia muito bem e dava opiniões verdadeiras. Acabei seguindo o que ele classificava positivamente e pronto…. o doom metal me dominou!

Eu vivia na Galeria do Rock desde os meus 13-14 anos e um belo dia fui lá comprar um CD de uma banda de nome bizarro chamada My Dying Bride. Como eu tinha lido outra resenha do FSF onde ele rasgou elogios no álbum The Angel and the Dark River, precisava tirar a prova. Pedi para o moço da loja tocar o CD pra eu decidir se iria comprar ou não e nos primeiros 2 minutos da primeira faixa, decidi: “Vou levar”. O moço da loja, que eu não lembro o nome mas era um cara muito do bem, me perguntou: “mas o que aconteceu com você? Antes você vinha pelo Soundgarden e agora este som pesado?”.

Não acho o Doom Metal pesado. Acho profundo. E o My Dying Bride mudou minha vida, pura poesia em forma de som denso, músicas de significados profundos, músicas feitas por pessoas que querem passar algo na música e não necessariamente apenas vender.

De lá pra cá não consigo deixar de acompanhar o trabalho dos caras e já assisti a um show ao vivo em Buenos Aires (porque no dia que iriam tocar lá no Rio de Janeiro, eu tinha reunião na ex-empresa). Hoje escuto várias outras, lógico, mas My Dying Bride é insuperável.

Para quem ficou curioso, escutou e não curtiu, não desista. Escute a banda sueca Draconian e a finlandesa Trees of Eternity.

Aliás, esta última banda que eu indico tem uma história bem triste, já que a vocalista, que era sul-africana, morreu de câncer em Abril de 2016. Uma moça extremamente bela e com certeza era bela por dentro também. Contudo, em vida, ela entregou ao mundo um lindo legado, o album Hour of the Nightingale e o companheiro dela, que também era o guitarrista do Trees, como forma de luto, formou um projeto chamado Hallatar que tem um som bem profundo como o bom doom exige, composto com poemas da finada e belíssima vocalista. O Hallatar pega emprestado o ótimo vocalista de uma banda que eu curto, a banda finlandesa Amorphis e o baterista que tocou na banda HIM, também da Finlândia.

Gente… só sonzeira de boa qualidade. Espero poder convertê-los(as)

 

Aliás… aproveitando que o assunto é som bom, saiba que eu crio memórias afetivas em viagens através de algumas músicas. Por exemplo, em Istambul ouvi muito Anathema e músicas como Crestfallen e Everwake.

No norte da França escutei muito Ane Brun e Camille. Em Nova York escutei muito Agnes Obel

Enfim… quando hoje escuto as músicas destes artistas é como um portal que me transporta até aqueles momentos que vivi! Amo!

 

Pra quem pesquisou, Ane Brun, Camille, Agnes Obel não são doom e nem rock! São “tipo” folk. É minha gente… não sou bitolada! Tem outras que adoro como Nicole Sabouné (que nem sei que gênero ela segue), Emilie Simon.
Gosto de música clássica como Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Debussy.
Amo músicas meio “world” como Dead Can Dance e sei lá onde encaixa a Björk.
Rock pouco conhecido (das grandes massas) como Antimatter, Dark Sanctuary, Riverside, Dark Tranquillity.
Amo música instrumental como The Cinematic Orchestra, Hans Zimmer, Ludovico Einaudi e Yann Tiersen (não me limitando à trilha sonora de Amèlie Poulain)
Adoro pop/dance music da Kylie Minogue e Lykke Li (mas só elas… esta é minha cota máxima para dance music)
E amo os clássicos óbvios como Depeche Mode, The Cult, U2 (até 2010), Bowie, Doors, Echo & The Bunnymen, Edith Piaf, Queen, Ramones, Led Zepellin e muita gente morta aí na lista…

 

 

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