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CRÔNICA DE VIAGEM #05 : Reflexões sobre confinamento animal
Postado por Estela T em 15/02/2017 Editado março 10, 2019 at 6:31 pm

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Bom... vamos lá! Zoológico! Quem nunca foi a uma excursão de escola a um zoológico da cidade? Se você não foi, ótimo. Eu já fui umas 2 vezes quando criança e depois disso só fui no Bronx Zoo, após 26 anos.

Os meus primeiros registros fotográficos, aliás, foram num zoológico. Com a câmera fotográfica de minha mãe, aprendi a rodar o filme na câmera e a clicar. Isso foi nos anos 80, a câmera não tinha estabilizador de movimento e sendo uma criança, eu não tinha muito controle de respiração, nada de braços firmes e nem entendia de foco.

Compilado de primeiras fotos que tirei na vida, com 8 anos de idade

Eu fiquei feliz por minha mãe me emprestar a câmera. Eu era a única estudante com uma em mãos. Estava feliz e orgulhosa e os animais eram fascinantes. Não era o mesmo que assistir o programa “Terra” da TV Cultura. Não, eles estavam lá.

Na visão de uma criança, tudo parece poético até demais. Mesmo quando chegamos perto do hipopótamo que tinha acabado de defecar, o cheiro horrível de suas fezes nem incomodou, porque aquele bicho enorme era assustadoramente hipnotizante.

Depois tive experiências com o circo. Coisa chata. Alguns animais apareciam, mas nada muito além do que cachorros e aqueles palhaços insuportáveis. Penso hoje que talvez tenha sido melhor não haver animais selvagens no circo que eu fui, porque hoje eu teria mais raiva de circo do que antes. Mas mesmo assim, aqueles cachorros pulando em troca, talvez de comida, me entristeceu. Seria eu uma quase defensora mirim dos animais em potencial?

Já adulta fui pela primeira vez a um Aquário, no litoral paulista. Pela proporção dos peixes nos seus aquários até parecia uma loja de peixes ornamentais. Até que uma hora aparecem os pinguins. Fiquei incomodada com o tamanho do tanque que eles tinham e fiquei imaginando se a agitação deles era alegria, se era comportamento normal ou comportamento de stress.

Este lugar tinha até um tubarão onde um mergulhador interagia com ele. Achei a coisa mais chata.

No final o local é muito deprê e mal sabia eu que encontraria algo horripilante e que me fez ter uma postura diferente à antiga "simples" curiosidade em ver animais selvagens de perto: a última "sala" exibia uma morsa gigante. Era imensa e eu acho que deveria ter no mínimo 2 metros de comprimento. Era uma morsa adulta em um espaço menor que meu quarto. Deixaram uma micro piscina pra ela, talvez, beber água. A morsa ficava no canto seco onde mal podia se mexer, um lugar que jamais poderia virar o corpo, ela ficava olhando pra cima com expressão muito triste. A partir disso eu decidi nunca mais contribuir com isso.

OK.... fui ao Bronx Zoo em Nova Iorque em 2014. Mas só fui porque me falaram que os animais ficavam em espaços mais dignos e em micros habitats adaptados a cada espécie. De certa forma, há um pouco disso sim, mas ainda é muito pouco. Dá pra sentir a energia dos animais e ela não é feliz.

A partir destas experiências espaçadas que eu tive, realmente entendo hoje que o confinamento animal é a coisa mais triste que um turista pode fazer ao comprar um ticket e continuar a contribuir com tal abuso.

Espero que esta crônica de viagem ajude a mudar o ponto de vista de vários amigos e leitores! 😉

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